Catedral vazia.
A noite cai pesada como um segredo esquecido, e a lua vigia de longe com olhos que já viram demais. Caminho entre sombras antigas, onde cada passo ecoa como se chamasse memórias que eu preferia manter mortas. No ar, um silêncio espesso, frio o bastante pra morder. E eu deixo que morda — talvez a dor seja a única coisa que ainda prova que existo. Meu coração? Uma catedral vazia, onde velas queimam sozinhas e nenhum santo me escuta. Mesmo assim, sigo. Entre ruínas, espectros e lembranças, procuro um lugar onde meu nome não soe como lamento. E quando o vento passa, levando um pouco de mim com ele, percebo: talvez eu seja feito disso — de sombras que caminham, de sonhos que sangram, de beleza que nasceu no escuro.
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