Ari @Ari_ssa
Drama

Engasgo na garganta

Que saudade doída, Me ver nesse limbo da vida. Calafrios no calor do Rio, Sei que essa noite vou ter um desafio. Oh, êxtase de uma realidade não vivida; Venha me confortar, sabe que és bem-vinda… Te amo mais que a história da minha vida. Quero chorar no colo da tristeza, Fazer ela sofrer comigo, em sua dureza. Assumir que chamo pela mamãe, Revelar essa ira, Me martirizar nos pés de Satã, meu desdém. Vender essa alma mal amada por trocados, Gastar meus últimos dias só por birra, Vadiar por bares de luz apagada, Dar desgosto para não sentir a dor, Sem dó, nem julgamentos, sem temor. Se me magoou, coloco a culpa no meu pai, que não me deu valor, Mas se o vejo sofrer no karma, me puno com o pudor. Sofremos o mesmo vício de tristeza. Cansada dessa mentira, quero uma certeza para chamar de minha. Gritar no eco: eu me perdi no mito do livre-arbítrio, Se cheguei aqui, não escolhi, não foi meu critério. Se tentei ser perfeita, só para mim menti, Esse genitor nunca viu, então de que adianta tentar tanto assim? Meu São Jorge nunca falha, Admiração, mas impossível ser a minha batalha. Essa criança já foi dilacerada e só cresce como aberração, Cacos e pedaços para criar um adulto, Fazendo o papel de Deus da criação. Não sei se sou blasfêmia ou insulto. Derretendo vidro para ser flexível, “você é difícil demais.” Você só pensa isso porque nunca me deu voz, Mas só para te dar poder, eu me quebro mais uma vez, mas se me olhasse veria que eu grito sem voz. Grito só para saber que nunca te perdoei, pai.

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