Araciana Vitória @Aracianav

Dores abafadas

Uso máscaras para esconder minha dor. Dor essa tão doída, Tão sofrida, Que aperta o peito Até ele se dilacerar. Faz o coração palpitar, Até me deixar sufocar. E não há um dia sequer em que eu não me lembre. Me encontro ali, sem ar, Tentando gritar, Clamar por ajuda. Mas tudo isso é em vão. Sinto mãos Que me seguram e me deixam imóvel, Deixando marcas — Marcas permanentes, Que não se apagam facilmente. E no momento em que são fincadas, Me deixam sem conseguir reagir. Ali, em estado estático, Começo a me culpar, Pensando que eu poderia ter feito mais, E, ao mesmo tempo, Sem saber o que fazer. Tento gritar, Suplicar, Ser ouvida. Mas sou calada, Silenciada. Minha voz é abafada Por ruídos Que roem minha alma E corroem cada parte minha. Partes essas que repito para mim mesma: "Já foram curadas." Mas não se engane. Pois eu uso máscaras Que escondem a dor, Lágrimas derramadas durante a noite Vasta e escura. E nessa escuridão, no pequeno espaço de um quarto apertado, Vou tecendo este poema Com lágrimas de quem tenta ser curada.

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