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Alan Fernandes

@Apaix · desde 2019

Sou um pescador de ilusão, Achando que a poesia libertaria, Um louco pálido de voz e violão, Que faz questão em um mundo cálido e sem coração.

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MEU TALISMÃ

A palavra é meu talismã A válvula para escoar emoções Ela te protege Te fere Te difere Mexe com a cabeça sã. Quando o peito aperta A boca seca E me vem o medo de um novo amanhã Eu passo um café Olho pro céu abraço minha fé E toco um Djavan.

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O que me falas?

O que me falas? Porque mesmo estou fazendo as malas? Mesmo antes de refazer as talas Tenho que mudar, Renovar, Mesmo sem saber o real significado de casa. Talvez eu viva apenas batendo minhas asas, Sem compromisso de nada Me sinto livre no ar mas a gravidade que me trava Às vezes quero apenas voar Sem destino, sem causa, Voar sobre o tudo e o nada Para assim tentar entender o que as desventuras da vida me fala.

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Fotografias mentais

Tenho um álbum de fotografia mental Para eu consultar todos os dias Quando estiver mal Seus traços é como a manhã que me traz alegria. O registo que me motiva seguir em frente Imagens de um passado que construiu o presente Fragmentos de memórias Que me faz sentir o amor que meu peito aloja Estou consultando meu álbum agora mesmo Para me lembrar do motivo de acordar cedo O motivo de manter o meu emprego E a satisfação de registrar mais momentos Com você no nosso aconchego.

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Me sinto estranho

Me sinto estranho, E irei lhe falar: Hoje foi um dia medonho, Sem nada para ruminar. Nada na minha mente a azucrinar, Nada que me faça sangrar, Cada caco a catar, Cada passo que terei que enfrentar. Cai nas garras do descaso Por tanto pensar. Será que já é tarde para voltar? Porque a dor de não saber Nunca veio a me encantar. Apenas pensamentos destrutivos Que vêm para me incitar. Pensamentos intrusivos Mandando eu pouco me importar. Mas, como os demais, Guardo nas gavetas mentais E sigo para o dia dos normais.

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Acelerou

Lúcido Ando perdido em meus pensamentos, Há tempos não percebo meus movimentos. Parece que os anos passaram como o vento, E hoje desperto sofrendo Por tanto tempo desperdiçado, Por tantos momentos não vividos, Por tantos sentimentos não notados. Queria voltar a cada momento, Viver intensamente, Sem o peso do arrependimento. Não ser engolido pela rotina, Nem aprisionado pelo ressentimento. Náufrago! nesse mar de sentimentos Lembre se da batalha do Álamo Daqueles tormentos Se lembra do primeiro trago? O primeiro alvo? Tudo que sobrevivemos? Lúcido! Mesmo perdido em meus pensamentos.

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Segunda tontura de vida

Como evitar a dor da existência Entender minha participação na consequência De tudo que destruímos com a nossa querência Minhas lágrimas de sangue já secaram E nem tive tempo de lavar as mágoas Nem de reler as ressalvas Me sinto desidratado Desequilibrado Desconcentrado demais para escrever nas folhas salvas Talvez eu não decida Para me enganar Do mal que minha alma participa Talvez venha a aliviar Essa tontura de vida. .

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O que me aconteceu

O que aconteceu comigo Me sentia vivo Hoje me sinto esquecido Tudo perde o sentido Me perturba um dia ter sentido. O que aconteceu comigo Eu caminhei por onde passa o perigo Quando precisei fugir Meu corpo quiz me seguir. O que aconteceu comigo Mesmo hoje sendo um belo dia Mesmo eu desejando o sol há dias Me sinto na tempestade que destelhou Minha vida.

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Correnteza de sentimentos

Me sinto desidratado Sem seu corpo do lado, Fonte preciosa que tem me alimentado, Visão graciosa que meus olhos têm contemplado. Me sinto seco, Sem inspiração. Sua presença É mar de satisfação. Seu gosto de água doce Alimenta a alma que se achava forte, Me afoga em correntezas de sentimentos, Me renova nas ondas do momento. Meu amor, até no deserto eu posso sobreviver, Até no incerto eu consigo me conter. Você parece uma miragem Que eu tive de tanto te querer. Você é um oásis Em que eu quero me perder.

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Em erupção

Estou em erupção, À flor da pele, Sentimentos tão quentes quanto a lava Que a razão derrete. Antes pensava que sabia de tudo, Hoje entendi que o que vivi Não foi nem um terço do mundo. Não quero viver no automático, Deixar a vida passar sem ter aproveitado. Buscando valores, Mas o real valor sempre esteve ao meu lado. E torço que seja até o fim. É acordar e ter você adoçando minha vista, A minha maior conquista Foi um dia você ter me dito sim.

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Doces lembranças

Se eu for lembrar de algo bom Com certeza irei lembrar de você De tudo que vivemos antes de morrer Das brigas armadilhas de prazer Você me aqueceu o peito Enlouqueceu de um jeito Nem sei se sou eu Ou escravo do seu desejo Você é arte alimento Comida no meu prato Me embebedo em cada momento E fico deslumbrado Com seu talento Fazendo a representação do número quatro.

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