A palavra é meu talismã
A válvula para escoar emoções
Ela te protege
Te fere
Te difere
Mexe com a cabeça sã.
Quando o peito aperta
A boca seca
E me vem o medo de um novo amanhã
Eu passo um café
Olho pro céu
abraço minha fé
E toco um Djavan.
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O que me falas?
Porque mesmo estou fazendo as malas?
Mesmo antes de refazer as talas
Tenho que mudar,
Renovar,
Mesmo sem saber o real significado de casa.
Talvez eu viva apenas batendo minhas asas,
Sem compromisso de nada
Me sinto livre no ar mas a gravidade que me trava
Às vezes quero apenas voar
Sem destino, sem causa,
Voar sobre o tudo e o nada
Para assim tentar entender o que as desventuras da vida me fala.
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Tenho um álbum de fotografia mental
Para eu consultar todos os dias
Quando estiver mal
Seus traços é como a manhã que me traz alegria.
O registo que me motiva seguir em frente
Imagens de um passado que construiu o presente
Fragmentos de memórias
Que me faz sentir o amor que meu peito aloja
Estou consultando meu álbum agora mesmo
Para me lembrar do motivo de acordar cedo
O motivo de manter o meu emprego
E a satisfação de registrar mais momentos
Com você no nosso aconchego.
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Me sinto estranho,
E irei lhe falar:
Hoje foi um dia medonho,
Sem nada para ruminar.
Nada na minha mente a azucrinar,
Nada que me faça sangrar,
Cada caco a catar,
Cada passo que terei que enfrentar.
Cai nas garras do descaso
Por tanto pensar.
Será que já é tarde para voltar?
Porque a dor de não saber
Nunca veio a me encantar.
Apenas pensamentos destrutivos
Que vêm para me incitar.
Pensamentos intrusivos
Mandando eu pouco me importar.
Mas, como os demais,
Guardo nas gavetas mentais
E sigo para o dia dos normais.
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Lúcido
Ando perdido em meus pensamentos,
Há tempos não percebo meus movimentos.
Parece que os anos passaram como o vento,
E hoje desperto sofrendo
Por tanto tempo desperdiçado,
Por tantos momentos não vividos,
Por tantos sentimentos não notados.
Queria voltar a cada momento,
Viver intensamente,
Sem o peso do arrependimento.
Não ser engolido pela rotina,
Nem aprisionado pelo ressentimento.
Náufrago!
nesse mar de sentimentos
Lembre se da batalha do Álamo
Daqueles tormentos
Se lembra do primeiro trago?
O primeiro alvo?
Tudo que sobrevivemos?
Lúcido!
Mesmo perdido em meus pensamentos.
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Como evitar a dor da existência
Entender minha participação na consequência
De tudo que destruímos com a nossa querência
Minhas lágrimas de sangue já secaram
E nem tive tempo de lavar as mágoas
Nem de reler as ressalvas
Me sinto desidratado
Desequilibrado
Desconcentrado demais para escrever nas folhas salvas
Talvez eu não decida
Para me enganar
Do mal que minha alma participa
Talvez venha a aliviar
Essa tontura de vida.
.
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O que aconteceu comigo
Me sentia vivo
Hoje me sinto esquecido
Tudo perde o sentido
Me perturba um dia ter sentido.
O que aconteceu comigo
Eu caminhei por onde passa o perigo
Quando precisei fugir
Meu corpo quiz me seguir.
O que aconteceu comigo
Mesmo hoje sendo um belo dia
Mesmo eu desejando o sol há dias
Me sinto na tempestade que destelhou
Minha vida.
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Me sinto desidratado
Sem seu corpo do lado,
Fonte preciosa que tem me alimentado,
Visão graciosa que meus olhos têm contemplado.
Me sinto seco,
Sem inspiração.
Sua presença
É mar de satisfação.
Seu gosto de água doce
Alimenta a alma que se achava forte,
Me afoga em correntezas de sentimentos,
Me renova nas ondas do momento.
Meu amor, até no deserto eu posso sobreviver,
Até no incerto eu consigo me conter.
Você parece uma miragem
Que eu tive de tanto te querer.
Você é um oásis
Em que eu quero me perder.
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Estou em erupção,
À flor da pele,
Sentimentos tão quentes quanto a lava
Que a razão derrete.
Antes pensava que sabia de tudo,
Hoje entendi que o que vivi
Não foi nem um terço do mundo.
Não quero viver no automático,
Deixar a vida passar sem ter aproveitado.
Buscando valores,
Mas o real valor sempre esteve ao meu lado.
E torço que seja até o fim.
É acordar e ter você adoçando minha vista,
A minha maior conquista
Foi um dia você ter me dito sim.
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Se eu for lembrar de algo bom
Com certeza irei lembrar de você
De tudo que vivemos antes de morrer
Das brigas armadilhas de prazer
Você me aqueceu o peito
Enlouqueceu de um jeito
Nem sei se sou eu
Ou escravo do seu desejo
Você é arte alimento
Comida no meu prato
Me embebedo em cada momento
E fico deslumbrado
Com seu talento
Fazendo a representação do número quatro.
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