Autocrítica de um poeta.
E eu, que já cantei Jorge Benjor, recitei Djavan. Pensei que sabia reconhecer o amor, mas na verdade estava cego pela dor. Já escrevi cartas e poemas, poesias e até canções. Acreditei que poderia dizer te amar amanhã. Rimas sem sentido, poesias sem sabor. Ontem eu sorria apaixonado, hoje chorei por amor. Acreditei identificar no seu olhar uma paixão, mas na verdade era só um vislumbre da minha queda ao chão. Saboreei cada segundo ao seu lado, me deletei com cada sorriso. Me afoguei com minhas próprias lágrimas, pois como poeta não aprendi o que é amor. Me surpreendi com cada gesto do universo para que eu ficasse, fui feliz quando soube do seu desejo. Agora só me resta do meu coração, o seu despejo. Não irei te desprezar, talvez, não sei ao certo. Talvez devesse ter deixado de lado qualquer respeito, mesmo assim sua indiferença ainda dói no peito. Me arrependi, pois sou suspeito. -Anderson Palma.
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