Isso é sobre rosas?
Não tens ideia da gravidade que é viver com intensidade. Eu sempre escrevi para tirarem as madrugadas dos poetas, porque elas podem ser fatais. Mas e quando não se pode fugir de si mesmo? Eu alço voo, o mais alto que consigo, para sair de tudo que sou, mas o vento balança meus cabelos encaracolados e me lembra de tudo que passei. Quero acabar com a guerra dentro de mim, então, desço e pego uma rosa em mãos. Os espinhos me fazem sangrar, as vozes me dizem para parar, mas eu a seguro firme, como quem deve tudo a pequenos acúleos. Repito a mim mesma que preciso sentir novamente, nem que seja dor, mas que seja maior do que a tristeza. Será que consigo? Não importa o escuro, eu sempre dou meu jeito e ilumino tudo ao redor. Mas e em momentos como esse? Onde você não sente nem as próprias mãos? Talvez eu devesse ser flor. Ou melhor, qualquer coisa do que ser humano.
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