Sustenido
A alma esbarrou para o corpo ceder. Me fez sorrir sem perceber. Relembrou um poema. Refez o meu sorriso largo sem dilema. Soltamos uma risada de cumplicidade. Em um olhar apertado, abrigamos saudade. Apenas uma esperança despretensiosa. Com um risco, criou a minha própria rosa. O talento de descartar o próprio vazio, para entregar a minha verdade. Por segundos, o seu girassol nomeou o acaso de felicidade. Contornou o passado através do whisky. Recitou os meus desejos ultrapassados. Testemunhei contra as suas premissas. Falhou em uma estrofe, negando o verso. Estraguei a roseira com uma falsa velatura. Admitimos a própria oposição na arte. O tempo era o nosso estandarte. O reencontro de laços esquecidos. Criamos uma composição sem acordes. A expressão de seus olhos verdes revelavam a surpresa de ainda sermos iguais. Agarramos ao rascunho quase perdido. Um último olhar quebrou a esperança. Abandonamos a luz na estante. O futuro abdicou do presente. Por uma noite, uníssonos enganados pelo tempo. Eternamente castigados pelo momento.
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