Alyna Étner @Alyna_Etner
Poema

Irreversível

Em um compasso o coração bombeava vida. De súbito, um tropeço descompassou as batidas. Presenteava-se com um suspiro de cansaço. No outro dia, continuava com dois passos adiantados. Casca obsoleta de um passado ininterrupto. Abdicou de suas soluções Reviveu outras questões. A teoria em prática indolor. O cristal fragmentado, sem esperança para brilhar. O pleonasmo preso ao abstrato. Há dias chorou como se fosse infinito. Amargurou a vida como se respirar fosse eterno. Caminhou mais. Tropeçou mais. Bombeou mais. Pediu mais. Recebeu mais. Reclamou mais.  Amargurou - se mais. Sorriu de menos. Arrependeu-se tarde. Remoeu-se no leito. Pediu perdão sem tempo. Antes que as lágrimas caíssem, faleceu no ponto sem demora. Não era cedo demais. Apenas tarde. O cessar exato, para assim evitar lamentações.

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