Alyna Étner @Alyna_Etner
Poema

Mercúrio

O fascínio do pretérito perfeito. O temor de um caminho incerto. Quem há de viver sem medo? O fracasso em uma página sem palavras, contemplando uma razão concreta. Agarro ao coração áspero. Mais uma vez, presa ao vespeiro de pensar. Me abrace por uma vida inteira, ou me abandone sem um remate suficiente. É mais fácil responder sem encarar o espelho. O meu olhar de madeira, tornou-se vermelho. Em poesia compactuo com o escarlate de esperança. Perante a realidade, necessito da contradição em um azul marfim. Apenas mais uma estrofe. Sustentada por um verso queimado. Alastrada por inspirações obtusas. Desde que não me falte ar, deixo registrado um anseio alarmado. O meu mercúrio destilado.

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