A Chuva
A Chuva A chuva chegou sem pedir licença, como chegam certas lembranças: primeiro uma gota, depois outra, e quando percebemos já estamos molhados de passado. Ela cai sobre os telhados como quem bate à porta de uma casa vazia. Cai nas ruas, nas árvores, nos olhos de quem espera, e talvez até no coração de quem já não sabe o que esperar. Há uma tristeza bonita na chuva. Não porque ela seja triste, mas porque faz silêncio onde antes havia ruído. E nesse silêncio o homem se encontra consigo. A chuva não pergunta quem somos, quanto temos, onde chegamos. Ela simplesmente cai. Cai sobre o rico e sobre o pobre, sobre o justo e sobre aquele que ainda procura justiça, sobre a janela aberta e sobre a porta fechada. E talvez seja esse o seu maior ensinamento: ninguém consegue impedir o céu de chorar. Mas há quem descubra, debaixo da chuva, que também é preciso chorar para continuar vivendo. Há lágrimas que lavam. Há lágrimas que lembram. Há lágrimas que despedem. E há aquelas que, silenciosamente, preparam o coração para começar outra vez. Quando a chuva passa, a cidade permanece a mesma — mas nunca exatamente igual. O chão guarda a água. As folhas guardam o brilho. O céu se abre devagar. E nós seguimos. Porque a vida é assim: uma sucessão de tempestades e pequenas aberturas de céu. Talvez Deus não mande a chuva para nos impedir de caminhar, mas para nos ensinar que até os dias cinzentos podem carregar dentro de si a promessa de uma manhã. Por isso, quando chover, não tenha tanta pressa de fugir. Pare um instante. Escute. Talvez exista uma mensagem escondida no barulho da água: tudo aquilo que parecia seco ainda pode florescer.
Nilza Poetisa
Eu acredito muito nisso Everton. A chuva é Divina É Deus nos mostrando que ela passa sim E depois há a renovação da natureza Assim como a nossa pode ser
Everton Castilho Fernandes 46 anos.
Boa tarde Nilza também acho