Casa Comigo Amor
Casa Comigo, Amor Casa comigo, amor, não para vencermos a solidão, mas para aprendermos que ela também é uma morada da alma. Casa comigo quando o tempo já não souber teu nome, quando os espelhos esquecerem teu rosto e apenas os olhos souberem reconhecer quem és. Não te prometo jardins eternamente floridos. Prometo-te a verdade das estações: haverá inverno em nossas mãos, mas também primavera escondida nas raízes. Casa comigo, e faremos da esperança uma cadeira à porta, para esperar, sem pressa, os milagres que Deus costuma entregar aos pacientes. Se um dia eu me perder de mim, chama-me pelo silêncio. É nele que sempre encontro o caminho de volta. Porque amar não é prender duas almas na mesma corrente; é ensinar duas liberdades a caminharem na mesma direção. Casa comigo, amor, não porque o mundo seja pequeno, mas porque o infinito cabe dentro de um coração que escolheu permanecer. E quando os cabelos forem apenas lembranças da juventude, e as mãos carregarem os mapas do tempo, olharemos um para o outro como quem contempla a própria eternidade. Então compreenderemos, enfim, que o amor nunca pediu perfeição; pediu apenas coragem para dizer "fico", quando todos os ventos ensinavam a partir. Casa comigo, amor. E se algum dia a morte bater à nossa porta, que nos encontre sentados lado a lado, como dois viajantes que descobriram, tarde demais, que o verdadeiro destino nunca foi o mundo inteiro, mas o pequeno universo que Deus construiu entre a tua mão e a minha. Autor: Everton Castilho Fernandes.
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