O Teu Beijo
O Teu Beijo O teu beijo não foi um beijo. Foi um abismo com a delicadeza de uma flor e a violência de um oceano inteiro. Desde então, nunca mais soube se caminho para a vida ou se apenas continuo caindo na lembrança da tua boca. Há pessoas que passam. Tu permaneces. Permaneces como permanecem as coisas que nunca mais conseguimos esquecer: o cheiro da chuva, o sino distante da infância, a última estrela antes da madrugada. O teu beijo fez de mim um estrangeiro em mim mesmo. Agora converso com as paredes, interrogo o vento, procuro o teu nome nas ondas, como se o mar pudesse devolver aquilo que levou sem pedir licença. Que estranho... O universo continua funcionando, os trens chegam, as ruas se enchem, os relógios insistem em existir... E, no entanto, desde aquele instante, o tempo deixou de acontecer dentro de mim. Talvez amar seja isso: continuar vivendo quando a melhor parte de nós ficou presa em um único segundo. Se um dia voltares, não tragas promessas. Traz apenas o silêncio que existia entre os nossos lábios antes do primeiro beijo. Porque descobri tarde demais que não era a tua boca que eu beijava. Era a eternidade disfarçada de um instante. Autor: Everton Castilho Fernandes.
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