Brisa
Não muito distante vejo o cais O sol já está se pondo Revelando somente metade de si Sereno Beija as águas claras do mar em despedida Suas pequenas ondas o recebem com gentileza Refletindo o brilho alaranjado de seu encontro Dá pra ver os pássaros cortando o céu Movimentando-se de tal forma O qual arrisco-me a dizer Que há um espaço entre o bater de suas asas E o caminho do vento sob cada pena delicada E esse espaço é preenchido unicamente Por pura sinfonia Quase que imperceptível Mais adiante pedra e terra sinalizam a margem A ideia de solidez acalenta-me a alma Depois de tantas noites perdido Velejando no escuro Pois a neblina cobrira absolutamente tudo Então já não era mais possível encontrar o leme As estruturas do meu barco puseram-se em tom de súplica E eu temi ser tragado por minhas misérias ali mesmo No descontentamendo adormeci Ao abrir os olhos vi os primeiros indícios tímidos da manhã Senti o calor esquentar o corpo Porém o abracei imaginando ser o delírio de uma doce memória De um dia bom Depois de um longo tempo forcei-me para ficar de pé E finalmente pude ver o cais aceso de expectação Os raios dourados do sol atravessavam-me o peito Com os olhos enxutos Recostei-me ao leme aliviado Pela luz do dia.
Jonas R.Cezar
Nossa,que tudo,me lembrou poesias de João Cabral de Melo Neto, lindo 👏👏👏👏👏👏
Alana Santos
Um grande ícone meu amigo, nem sem como reagir a tal comentário rs. Mas fico muito feliz que você tenha gostado, obrigado😊❤