Lua @Akaai

Quando o silêncio cresce

A morte me assusta. Não como medo do escuro, mas como um trauma antigo, daqueles que não têm nome, só sensação, e nó na garganta. É aquele medo bobo, enraizado, que te faz tremer sem razão, te faz voltar a ser criança num corpo grande, paralisada diante do invisível, chorando baixinho pra ninguém ouvir. Desde que perdi aquele homem que eu chamava de pai, a morte deixou de ser ideia e virou presença. Ela não passa, não some, ela ronda. Me olha pelos cantos, sussurra quando alguém sorri demais, quando o amor encosta, quando uma lembrança insiste em florescer. E por esse medo tênue, me afasto de vidas. Não por desamor, mas por pavor da perda. Tenho medo de que tudo acabe: os cheiros, os risos, as frases repetidas, as músicas que ele cantarolava sem saber a letra. Tenho medo que as lembranças fujam, como ele fugiu do tempo. A morte me assusta, sim. Não pelo fim, mas pela ausência cruel que ela deixa em mim.

Comentários · 1

  1. Lucas

    simplesmente incrível e reflexivo... diz muitas coisas sobre pessoas que tem ou tiveram o "trauma" da morte, isso afeta o psicológico da pessoa, que às vezes deixa-o longe dos outros, por medo de perder alguém de novo...

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    1. Lua

      Fico muito feliz que tenha gostado e se conectado com o texto, é incrível ver quando alguém entende de verdade o que está por trás das palavras. :)