Natal
Deus, quanta hipocrisia, no dia do Teu Filho amado, aquele que, em sangue derramado, o peso do mundo carregou. Como Tu permite, Senhor, que a boca que clama Teu amor seja a mesma que julga e condena quem escolhe não rezar em cena? De mãos dadas, eles erguem preces, mas logo depois, o coração esquece. Bucho cheio de gula e vaidade, proclamam Teu nome sem sinceridade. Chamam-Te Pai, com olhos de Judas, línguas que ferem, palavras cruas. Bebem, prostituem, mentem à luz, mas erguem as mãos, clamando Jesus. Eu não ajoelho junto a esses falsos, que fazem da fé um palco de saltos. Deus ama a todos, sei que é verdade, mas confesso: sinto nojo da maldade. Se Teu amor é vasto e perfeito, perdoa quem vive de peito estreito. Mas eu, Senhor, escolho silêncio, pois fé, para mim, não é um consenso.
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