Mudar o dia do fim
Tudo acaba numa quarta-feira qualquer, sem alarde, sem aviso, sem final de novela. Anos de história viram ecos na memória, doendo como farpas que não sabem cicatrizar. Você ainda respira, a 15 minutos de mim, mas é como se um abismo tivesse nascido. Posso te mandar mensagem, mas onde mora a coragem que antes guiava meus dedos? Minhas pernas, que antes corriam, agora hesitam em caminhar, como se o peso da distância não fosse só físico, mas algo além, um fardo que só eu carrego. E aqui estou, há uma semana te buscando em cada canto onde sei que você não está. Nos livros, nas músicas, nos cheiros perdidos, até no espelho, que reflete uma ausência sua. Tudo acabou numa quarta-feira qualquer, mas o que não acaba é essa saudade torta, essa vontade de voltar no tempo e mudar o dia do fim.
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