Herbário de Ofélia
Levei teu nome ao rio como quem leva uma coisa sagrada para longe dos olhos. Trancei violetas nos cabelos, arruda nos pulsos, alecrim onde o peito ainda doía. Não deixei recado na margem. Nenhuma flor indicava o caminho de volta. A água não me devia resposta. Entrei devagar, com o coração ainda quente daquilo que não coube em palavras. Meu corpo pesou, mas não havia desespero — apenas a gravidade de tudo o que foi verdadeiro. Continuei cantando a última coisa que sabia de cor. As violetas se soltaram primeiro. Depois a arruda. O alecrim permaneceu comigo até a água alcançar meu peito. Não pensei no que faltava. Pensei que, entre tantas coisas que atravessei sem compreender, ao menos uma eu soube inteira: amei. E afundei sem pedir ao rio que me devolvesse à margem. As flores subiram. O nome ficou no rio.
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