Cálice @Agoniza

Minha última carta para o meu Amor?

Seus olhos são como duas estrelas cadentes que me suplicava para te desejar. Seus cabelos, antes escuros, agora claros como chamas que me rasgam o peito de amor - uma dor vinda da dose de lembranças que me acorrenta. Seu corpo, até coberto, contemplava como se fosse uma constelação de Áries. Branca, mais alva que a neve, me convidava com o calor de seu amor para esquecer-me do mundo, e para me afogar em sua imensa paixão aos nossos olhos. Me tornaste único para ti. E você? Em um jardim de mil rosas, nos cativamos, serás sempre Única para mim. O tempo fez o meu coração se tornar o teu refém. Estou em luto, neste frio de outono, sem o seu carinho para aquecer a minh'alma em lástima, sem mais os seus sinceros "Te Amo". O seu cheiro me hidrata de lembranças. Oh, mundo cruel! Queria só mais uma vez te abraçar enquanto as lágrimas de saudades me congelam. Teu perfume finge a tua presença e traz de volta os nossos antigos encontros pela madrugada da fria manhã; mesmo em solitude, você se faz presente. Suas músicas me trazem com um efêmero consolo de um plano onde à minh'alma não Tormenta. Por um momento, eu não queria mais tomar uma dose de Você em nossas fotos. QUANDO!? Até quando esta abstinência vai fazer a minh'alma sangrar? Até onde devo me machucar para deixar Você ir? Me sinto em um limbo e, no fundo, vejo a Lua, por que se escondes? Minha Lua com os olhos castanhos sombrios, com um sorriso pálido, que me deu promessas que morreram em agonia junto a mim, no silêncio ensurdecedor. Suas cartas, seu eu sincero, com um amor que me abraça sabendo que o inevitável chegaria. Mais uma vez, recebo aquele amor puro - na névoa de outono se esvaiu - que nunca mais o verei. "Me amarias mesmo sendo uma minhoca?". Por palavras de profunda dor, te respondo, morrendo aos poucos como ílios em agonia: sim.

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