Sou boneca de pano,
as vezes me arranho.
O algodão que me enche, não é mais tão branco.
Sou boneca de pano
Cujas roupas de trapos, são fiapos, já se rasgaram.
As mãos que a manuseavam, eram ásperas, tinha calos.
Sou boneca de pano
Dada a um estranho, com estranhas mãos que apalpavam.
Que as vezes o forro rasgava, deixando a estopa como entranhas.
Sou boneca de pano
Meus olhos de linha que tanto enxergam, minha boca rosada é costurada.
Deixa escapar ruídos, como os dos gatos.
Sou boneca de pano
Quem dera fosse verniz, ou estanho.
Sou boneca de pano
Minha casa é um baú,
Minha pele é pano cru,
e meus pés não tem sapatos.
Sou boneca de pano
Utilizada como joguete, as vezes marionete,
De teus desejos, segredo insano.
Boneca de pano
Mas tenho nome, tenho dor e solidão. Tenho muito medo e imaginação, meu corpo frágil é minha prisão.
Eu não devia ter um dono, mas fui feita pra brincar e você é meu carrasco.
Sou boneca de pano
E temo as noites e as manhãs.
Seus leves passos são meu pesadelo.
Assim, boneca de pano...
Agora velha não tenho mais uso, volto pro meu baú, rasgada, despenteada, sem vestido.
Mas quando ela vem, e me chama de meu neném, posso desabar.
Se apenas mamãe, você soubesse...
Diz pra ele
Eu não quero mais brincar...
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O que afaga a minha alma,
É um abraço apertado.
Um eu te amo sussurrado,
Uma canção ao pé do ouvido...
O que me faz sentir inteira,
é me incluir nas tuas besteiras,
Pensando em mim, até quando nada pensas.
Parece simples e bobo,
mas é tão precioso o cuidar.
A gentileza de um olhar,
que não se cansa de apreciar a singeleza mais comum...
Pudera eu ser sua musa,
sua mais gentil fonte de inspiração.
Sigo apaixonada por teus instantes.
Guardada em papel dobrado,
na espera mais demorada,
de ser desamassada e apreciada...
Pensando em ti
enquanto pensas nela...
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Me acalento em lágrimas frias
Como cobertor de dor e tormento...
Me acalento na nostalgia
de não poder reviver o momento.
Meu acalento é sentir
que não estou perdendo tempo.
Só um pouco de mim
em cada esquina do pensamento.
Não suporto ser esse ser
que só respira pra viver.
Sem ver
ouvir
ou sonhar...
A mera ilusão que o espelho reflete
É um teste de mim
Por outro eu.
O que me acalenta é saber
Que apesar
do pesar
Ainda sou
Eu...
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Talvez eu tenha brincado com teu
coração
Quando te entreguei o meu
E esmagou-o em tuas mãos.
Talvez, quando eu chorei pra que
voltasse
Não fosse de verdade
Era teatro meu.
Mas quando eu disse adeus
Tenha certeza
Foi de minha natureza
Te fazer chorar.
Mas não era tu que dizia:
Menina, sou bicho solto, tente não se apegar?
Talvez eu tenha planejado te fazer apaixonar.
Porque no fundo
fui eu que aprendi
Quando me dizia ser o professor.
Então tente não guardar rancor
Afinal a fila andou
E tu não tinha planejado durar.
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Se fostes santo
Não seria de altar
Me fazes ajoelhar
Mas não é pra rezar...
Quando me tocas
Não me finjo de morta
Pois encontro o céu
Na tua boca.
Me abraça
Me enlaça
Me invoca!
Tira minha roupa
Me chama de louca
Me põe no altar
E reze por mim.
Minha castidade
É tua ingenuidade
Me tece com terços
Me cante um louvor
Mas não é por amor
Que és meu abrigo.
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Se sou sua dor mais profunda,
Porque sempre me inundas
Com tanto querer?
Não me abrace muito forte,
Pois prefiro a morte
À te pertencer.
Tu segura as correntes,
tuas palavras me prende
e não sabes porque?
Quando teve frio
Eu te aqueci.
e quando vazio
te preenchi.
Você nunca amou demais
eu fui tua cobaia.
A vida é mesmo isso,
não te dá aviso
Só te joga no chão.
Mas vou me levantar,
Você não vai precisar
me dá a mão.
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Me chamam de anjo
Olhando meu rosto
Se olham o esboço
Sou feita à pincel.
Pra muitos, querida, um favo de mel. Tenho qualidades e os melhores defeitos. Se brinco contigo
Te deixo sem jeito.
Olhando de lado pareço escultura
Mas alguns me vêem e sentem amargura. Cuidado comigo é a frase certeira
Pareço menina
Mas sou moça faceira.
Não vivo em gaiola mas sou prisioneira.
Dos meus desejos e minha ambição.
Me colocam em altares
Mas meus pés estão no chão.
Talvez eu sou anjo mas desses caídos
Se é o que dizem
Disso não duvido.
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Moço de cabelo escuro
Deixe-me pedir-te um grande favor.
Quando me abraçares não me aperte, porque me sufoca e eu guardo rancor.
Não alise meus cabelos, não sinta meu cheiro, não esmague meus seios, nem chame de amor.
Porque estou machucada, vivo amargurada, não sinto calor.
Moço de terno e gravata
Me compre um whisky
Mas não traga gelo, é que eu prefiro ele seco
Como minha alma, e meus pesadelos.
Me chame pra sua festa, eu não sou modesta, vou me lambuzar...
Mas quando raiar o dia, sou dada à fantasias, posso desmanchar...
Moço, me mande pra casa, sou caricaturada não posso chorar.
Amanhã mudo meus sonhos, troco de vestido, volto a ser vulgar.
Não me convide duas vezes, o meu personagem preciso manter, e se me olhar nos olhos, pode ser que veja que quero morrer...
Continue me apalpando, finja que eu sou, o seu maior prazer...
Me dê apenas isso, deixa ser teu vício, me faça viver...
( Dedicado à alma pura e singeleza, que uma vez encontrei em uma esquina.)
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Eu vi um anjo sem asas
Que falava de amor com os olhos,
Porque os lábios só sabiam balbuciar.
Esse anjo de olhos da cor do céu
As vezes chora tentando se expressar.
Como esse, há muitos por aí,
Pois sempre há um anjo em cada lugar.
Quando esse anjo crescer
E com as dores do mundo se envolver,
Ainda vou lembrar de sua doçura,
A ternura em suas mãos pequenas,
E a grandeza desse coração.
Não sei se ele saberá que também me tornei um anjo
Quando me chamou de amiga
Sem precisar nada dizer...
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Eu vi um rio,
Mas esse rio só aparece, quando eu não sorrio.
As vezes cheio, as vezes vazio.
Com águas turvas, outras anil.
Ah, o rio...
Ainda não dá pra matar a sede,
Porque o reflexo é só saudade.
E por vezes tua imagem,
me pego a mirar...
Tu viu o rio?
As ondas como de mar,
calmaria pronta a tragar,
Qualquer que se atreve ali mergulhar.
Se não sabes nadar,
Por favor não aventurar.
A profundidade não se mede pelas águas.
É do rio que deves ter medo,
afinal não é nenhum segredo
Que águas belas, tbm sabem afogar...
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