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ADLINAZUOS

@ADLINAZUOS · desde 2021

Eu me descrevo, me reescrevo, me reencontro, me desencontro. Escrevo versos, ao avesso. Meu IG: https://www.instagram.com/p/CMKd1Cuhflp/?igshid=

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Vida

Boneca de Pano

Sou boneca de pano, as vezes me arranho. O algodão que me enche, não é mais tão branco. Sou boneca de pano Cujas roupas de trapos, são fiapos, já se rasgaram. As mãos que a manuseavam, eram ásperas, tinha calos. Sou boneca de pano Dada a um estranho, com estranhas mãos que apalpavam. Que as vezes o forro rasgava, deixando a estopa como entranhas. Sou boneca de pano Meus olhos de linha que tanto enxergam, minha boca rosada é costurada. Deixa escapar ruídos, como os dos gatos. Sou boneca de pano Quem dera fosse verniz, ou estanho. Sou boneca de pano Minha casa é um baú, Minha pele é pano cru, e meus pés não tem sapatos. Sou boneca de pano Utilizada como joguete, as vezes marionete, De teus desejos, segredo insano. Boneca de pano Mas tenho nome, tenho dor e solidão. Tenho muito medo e imaginação, meu corpo frágil é minha prisão. Eu não devia ter um dono, mas fui feita pra brincar e você é meu carrasco. Sou boneca de pano E temo as noites e as manhãs. Seus leves passos são meu pesadelo. Assim, boneca de pano... Agora velha não tenho mais uso, volto pro meu baú, rasgada, despenteada, sem vestido. Mas quando ela vem, e me chama de meu neném, posso desabar. Se apenas mamãe, você soubesse... Diz pra ele Eu não quero mais brincar...

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Amor

Afago...

O que afaga a minha alma, É um abraço apertado. Um eu te amo sussurrado, Uma canção ao pé do ouvido... O que me faz sentir inteira, é me incluir nas tuas besteiras, Pensando em mim, até quando nada pensas. Parece simples e bobo, mas é tão precioso o cuidar. A gentileza de um olhar, que não se cansa de apreciar a singeleza mais comum... Pudera eu ser sua musa, sua mais gentil fonte de inspiração. Sigo apaixonada por teus instantes. Guardada em papel dobrado, na espera mais demorada, de ser desamassada e apreciada... Pensando em ti enquanto pensas nela...

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Fantasia

Acalento

Me acalento em lágrimas frias Como cobertor de dor e tormento... Me acalento na nostalgia de não poder reviver o momento. Meu acalento é sentir que não estou perdendo tempo. Só um pouco de mim em cada esquina do pensamento. Não suporto ser esse ser que só respira pra viver. Sem ver ouvir ou sonhar... A mera ilusão que o espelho reflete É um teste de mim Por outro eu. O que me acalenta é saber Que apesar do pesar Ainda sou Eu...

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Vida

Talvez

Talvez eu tenha brincado com teu coração Quando te entreguei o meu E esmagou-o em tuas mãos. Talvez, quando eu chorei pra que voltasse Não fosse de verdade Era teatro meu. Mas quando eu disse adeus Tenha certeza Foi de minha natureza Te fazer chorar. Mas não era tu que dizia: Menina, sou bicho solto, tente não se apegar? Talvez eu tenha planejado te fazer apaixonar. Porque no fundo fui eu que aprendi Quando me dizia ser o professor. Então tente não guardar rancor Afinal a fila andou E tu não tinha planejado durar.

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Arte

Abrigo...

Se fostes santo Não seria de altar Me fazes ajoelhar Mas não é pra rezar... Quando me tocas Não me finjo de morta Pois encontro o céu Na tua boca. Me abraça Me enlaça Me invoca! Tira minha roupa Me chama de louca Me põe no altar E reze por mim. Minha castidade É tua ingenuidade Me tece com terços Me cante um louvor Mas não é por amor Que és meu abrigo.

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Lágrimas

Você

Se sou sua dor mais profunda, Porque sempre me inundas Com tanto querer? Não me abrace muito forte, Pois prefiro a morte À te pertencer. Tu segura as correntes, tuas palavras me prende e não sabes porque? Quando teve frio Eu te aqueci. e quando vazio te preenchi. Você nunca amou demais eu fui tua cobaia. A vida é mesmo isso, não te dá aviso Só te joga no chão. Mas vou me levantar, Você não vai precisar me dá a mão.

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Arte

Anjo Sou?

Me chamam de anjo Olhando meu rosto Se olham o esboço Sou feita à pincel. Pra muitos, querida, um favo de mel. Tenho qualidades e os melhores defeitos. Se brinco contigo Te deixo sem jeito. Olhando de lado pareço escultura Mas alguns me vêem e sentem amargura. Cuidado comigo é a frase certeira Pareço menina Mas sou moça faceira. Não vivo em gaiola mas sou prisioneira. Dos meus desejos e minha ambição. Me colocam em altares Mas meus pés estão no chão. Talvez eu sou anjo mas desses caídos Se é o que dizem Disso não duvido.

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História

Moço

Moço de cabelo escuro Deixe-me pedir-te um grande favor. Quando me abraçares não me aperte, porque me sufoca e eu guardo rancor. Não alise meus cabelos, não sinta meu cheiro, não esmague meus seios, nem chame de amor. Porque estou machucada, vivo amargurada, não sinto calor. Moço de terno e gravata Me compre um whisky Mas não traga gelo, é que eu prefiro ele seco Como minha alma, e meus pesadelos. Me chame pra sua festa, eu não sou modesta, vou me lambuzar... Mas quando raiar o dia, sou dada à fantasias, posso desmanchar... Moço, me mande pra casa, sou caricaturada não posso chorar. Amanhã mudo meus sonhos, troco de vestido, volto a ser vulgar. Não me convide duas vezes, o meu personagem preciso manter, e se me olhar nos olhos, pode ser que veja que quero morrer... Continue me apalpando, finja que eu sou, o seu maior prazer... Me dê apenas isso, deixa ser teu vício, me faça viver... ( Dedicado à alma pura e singeleza, que uma vez encontrei em uma esquina.)

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Amizade

Um anjo

Eu vi um anjo sem asas Que falava de amor com os olhos, Porque os lábios só sabiam balbuciar. Esse anjo de olhos da cor do céu As vezes chora tentando se expressar. Como esse, há muitos por aí, Pois sempre há um anjo em cada lugar. Quando esse anjo crescer E com as dores do mundo se envolver, Ainda vou lembrar de sua doçura, A ternura em suas mãos pequenas, E a grandeza desse coração. Não sei se ele saberá que também me tornei um anjo Quando me chamou de amiga Sem precisar nada dizer...

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Rio...

Eu vi um rio, Mas esse rio só aparece, quando eu não sorrio. As vezes cheio, as vezes vazio. Com águas turvas, outras anil. Ah, o rio... Ainda não dá pra matar a sede, Porque o reflexo é só saudade. E por vezes tua imagem, me pego a mirar... Tu viu o rio? As ondas como de mar, calmaria pronta a tragar, Qualquer que se atreve ali mergulhar. Se não sabes nadar, Por favor não aventurar. A profundidade não se mede pelas águas. É do rio que deves ter medo, afinal não é nenhum segredo Que águas belas, tbm sabem afogar...

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