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Victoria Rodrigues

@vrodrigues · desde 2020

Quem antes sonhava em cativeiro por falta de mundo, hoje sofre as náuseas de viver dos excessos, sentindo falta de si. @victrodg

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Vicios

Minha boca seca é consequencia do vazio Que abre a porta para a abstinência Deixando ela preencher buracos. Imundamente culpar os furos Sem ver o verdadeiro motivo Pra consumir cada vez mais E nunca estar satisfeito Não corrompi minhas veias Meu sangue continua limpo Mas não significa que estou a salvo Me entreguei para perigos silênciosos Não fisicos Que me corrompem enquanto sorrio Imersão bruta Braços imaginários surgem ao redor de mim Alcançando cantos abandonados do meu corpo Fazendo vibrar calor em pleno gelo Falando comigo Me encaminhando para o gozo Me fazendo acreditar enquanto vibro Enquanto chego na beira e depois derramo Inteiro e eterno Num lapso irreal de sentimento Desses que eu gosto demais de sentir Mas que eu só percebo que não eram reais Quando minha costa desaba na cama Quando meus olhos se abrem Quando minha respiração se regula Eu percebo... O irreal é tudo o que tenho no momento Então retorno Para o inicio desse flerte de mentira Com a boca seca.

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Criança.

Ainda balanço as pernas, sentado. Eu gasto minha energia aguardando. As vezes durmo, cansado, esquecendo de rezar antes, mas sempre tento depois de acordar de um pesadelo. Parece que já não faz sentido, que o pior já está, mas lá no fundo eu (acho que) ainda acredito no fantástico... O trabalho maior mesmo é acreditar que eu o mereço.

Netuno

Eu vejo Netuno, mas nao consigo enxergar um palmo a frente do meu nariz. As ideias se perderam, mas as sensações ainda me cercam, cobrando satisfações e atitudes que eu não consido dar exatamente agora, e não me esforcei para oferecer ontem. E, sendo assim, me diminuo sob o lençol azul da minha cama, que se tornou a unica certeza. Antes de descobrir que era Netuno no céu, eu achei que fosse uma estrela qualquer. É isso o que a distância faz? Transforma grandezas em meras pontuações que aguardam a atenção de quem puder desbravar? Atenção... Logo pra mim que ando tão destraído. Quantos planetas mais eu confundi?

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Cinza e aguardando.

Quase consigo visualizar o amor e suas cores invadindo a minha vista, sobrepondo o cinza. Quase consigo sentir o movimento das mãos, o fogo no centro do peito e pressão dos braços ao redor meu corpo... Mas antes de perder o ar, lembro das vezes que o "amor" foi apenas um vício que derreteu minhas vísceras. E assim, caio outra vez no buraco que me direciona para a minha cama vazia e a sensação de um muro invisível que me impede de viver o novo.

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Parcelando despedidas.

Registro na tua mão a gratidão que sinto por todas as vezes que tua voz foi além do meu ouvido e me deu uma casa para morar. Descompactaste meu peito e em solo morto fizeste brotar sonhos, coisa que já não me acontecia mais nem dormindo. Em espaço seguro guardarei tua imagem como um lugar sempre confortavel, em tom amarelos e flores, que visitarei com carinho. Pertenceremos! E é por isso que me sinto triste, porém confiante que começar a soltar essa corda é o mais saudável que podemos nos oferecer agora. Tantas maravilhas aprendidas precisam ganhar céu e isso também me ensinaste. Ser fúria, ser tempestade, e ser eu mesmo. Em parcelas planejadas de adeus, vou te eternizando em mim, e secando minhas lagrimas desde aqui. Pois, lá na frente, vendo de cima, com o som das aguas beijando as pedras, lembraremos do nosso amor como presente, e não como ferida. - MFS

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Inexistente tu

Céu limpo e com estrelas Porta aberta Já tem tempo Mas você não chega. Já cogitei que o defeito era no relógio Contabilidade ineficaz do tempo Mas nada explica Tamanha solidão Em uma vida cheia de pessoas. Só meu peito entende Que não estamos esperando qualquer um Estamos esperando exatamente você Cruzar a porta Se soltar em abraço... Mas você não existe.

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Expectativas em areia.

Eu atravessei com os olhos vendados, ultimo fio de coragem e dedos cruzados atrás das costas. Agora que estou aqui do outro lado, o que devo fazer? - Achei que a liberdade fosse me trazer solidez, mas este terreno é de areia. Tudo é meu e tudo é possivel... Se não passar de miragem, ou delírio da sede.

Predeterminado.

Luz de cor azul, Tocando leve Como um vento triste No rosto de alguem que sorri. Respingos de sobriedade Ar na superficie Derrubam a lagrima Pendurada para o dia seguinte. Se a predeterminação escolheu meu caminho Eu gostaria de escolher meus próprios sapatos Para caminhar certo Ao meu modo errado. Se a predeterminação escolheu meus sapatos Então, por favor, Que me situe sobre o caminho Pois me descoordenei no trajeto. Parado no meio Aparentando sossego Fingindo superação Não sigo o plano Nem o meu Nem o que era pra mim.

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Quando te (me) vejo.

Eu te sinto E sinto saudades de ti. Em raras noites como essas sob meia lua tu te aninhas devagar no meu braço. Não me pede conselho não quer conversar. Em um suspiro desaba... Isso é tudo entre nós. Não te cobro, não tenho forças O relógio estraçalha esse momento Nada para... E logo logo tu escorrerás pra dentro Se perdendo igualmente em silêncio Deixando apenas o teu espaço Que carinhosamente chamo de: EU-VAGO.

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Visão

Não há fuga para outro corpo Nem conexão com outra mente A sensação do fracasso Fez cerca em todos os lados. As vozes vem em minha direção Mas falam sozinhas Aprendi a ignorar Agora não consigo mais sair Estou ilhado em mim Assistindo Minha vida Como uma visão Sem força para emitir som Nem mesmo o da dor.

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