Minha boca seca é consequencia do vazio
Que abre a porta para a abstinência
Deixando ela preencher buracos.
Imundamente culpar os furos
Sem ver o verdadeiro motivo
Pra consumir cada vez mais
E nunca estar satisfeito
Não corrompi minhas veias
Meu sangue continua limpo
Mas não significa que estou a salvo
Me entreguei para perigos silênciosos
Não fisicos
Que me corrompem enquanto sorrio
Imersão bruta
Braços imaginários surgem ao redor de mim
Alcançando cantos abandonados do meu corpo
Fazendo vibrar calor em pleno gelo
Falando comigo
Me encaminhando para o gozo
Me fazendo acreditar enquanto vibro
Enquanto chego na beira e depois derramo
Inteiro e eterno
Num lapso irreal de sentimento
Desses que eu gosto demais de sentir
Mas que eu só percebo que não eram reais
Quando minha costa desaba na cama
Quando meus olhos se abrem
Quando minha respiração se regula
Eu percebo...
O irreal é tudo o que tenho no momento
Então retorno
Para o inicio desse flerte de mentira
Com a boca seca.
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Ainda balanço as pernas, sentado.
Eu gasto minha energia aguardando.
As vezes durmo, cansado, esquecendo de rezar antes, mas sempre tento depois de acordar de um pesadelo.
Parece que já não faz sentido, que o pior já está, mas lá no fundo eu (acho que) ainda acredito no fantástico... O trabalho maior mesmo é acreditar que eu o mereço.
Eu vejo Netuno, mas nao consigo enxergar um palmo a frente do meu nariz.
As ideias se perderam, mas as sensações ainda me cercam, cobrando satisfações e atitudes que eu não consido dar exatamente agora, e não me esforcei para oferecer ontem. E, sendo assim, me diminuo sob o lençol azul da minha cama, que se tornou a unica certeza.
Antes de descobrir que era Netuno no céu, eu achei que fosse uma estrela qualquer. É isso o que a distância faz? Transforma grandezas em meras pontuações que aguardam a atenção de quem puder desbravar? Atenção... Logo pra mim que ando tão destraído.
Quantos planetas mais eu confundi?
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Quase consigo visualizar o amor e suas cores invadindo a minha vista, sobrepondo o cinza. Quase consigo sentir o movimento das mãos, o fogo no centro do peito e pressão dos braços ao redor meu corpo... Mas antes de perder o ar, lembro das vezes que o "amor" foi apenas um vício que derreteu minhas vísceras.
E assim, caio outra vez no buraco que me direciona para a minha cama vazia e a sensação de um muro invisível que me impede de viver o novo.
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Registro na tua mão a gratidão que sinto por todas as vezes que tua voz foi além do meu ouvido e me deu uma casa para morar.
Descompactaste meu peito e em solo morto fizeste brotar sonhos, coisa que já não me acontecia mais nem dormindo.
Em espaço seguro guardarei tua imagem como um lugar sempre confortavel, em tom amarelos e flores, que visitarei com carinho.
Pertenceremos! E é por isso que me sinto triste, porém confiante que começar a soltar essa corda é o mais saudável que podemos nos oferecer agora. Tantas maravilhas aprendidas precisam ganhar céu e isso também me ensinaste.
Ser fúria, ser tempestade, e ser eu mesmo.
Em parcelas planejadas de adeus, vou te eternizando em mim, e secando minhas lagrimas desde aqui. Pois, lá na frente, vendo de cima, com o som das aguas beijando as pedras, lembraremos do nosso amor como presente, e não como ferida.
-
MFS
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Céu limpo e com estrelas
Porta aberta
Já tem tempo
Mas você não chega.
Já cogitei que o defeito era no relógio
Contabilidade ineficaz do tempo
Mas nada explica
Tamanha solidão
Em uma vida cheia de pessoas.
Só meu peito entende
Que não estamos esperando qualquer um
Estamos esperando exatamente você
Cruzar a porta
Se soltar em abraço...
Mas você não existe.
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Eu atravessei com os olhos vendados, ultimo fio de coragem e dedos cruzados atrás das costas.
Agora que estou aqui do outro lado, o que devo fazer?
-
Achei que a liberdade fosse me trazer solidez, mas este terreno é de areia.
Tudo é meu e tudo é possivel... Se não passar de miragem, ou delírio da sede.
Luz de cor azul,
Tocando leve
Como um vento triste
No rosto de alguem que sorri.
Respingos de sobriedade
Ar na superficie
Derrubam a lagrima
Pendurada para o dia seguinte.
Se a predeterminação
escolheu meu caminho
Eu gostaria de escolher
meus próprios sapatos
Para caminhar certo
Ao meu modo errado.
Se a predeterminação
escolheu meus sapatos
Então, por favor,
Que me situe sobre o caminho
Pois me descoordenei no trajeto.
Parado no meio
Aparentando sossego
Fingindo superação
Não sigo o plano
Nem o meu
Nem o que era pra mim.
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Eu te sinto
E sinto saudades de ti.
Em raras noites como essas
sob meia lua
tu te aninhas devagar no meu braço.
Não me pede conselho
não quer conversar.
Em um suspiro desaba...
Isso é tudo entre nós.
Não te cobro, não tenho forças
O relógio estraçalha esse momento
Nada para...
E logo logo
tu escorrerás pra dentro
Se perdendo
igualmente em silêncio
Deixando apenas o teu espaço
Que carinhosamente chamo de: EU-VAGO.
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Não há fuga para outro corpo
Nem conexão com outra mente
A sensação do fracasso
Fez cerca em todos os lados.
As vozes vem em minha direção
Mas falam sozinhas
Aprendi a ignorar
Agora não consigo mais sair
Estou ilhado em mim
Assistindo
Minha vida
Como uma visão
Sem força para emitir som
Nem mesmo o da dor.
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