por dentro de mim,
sinto que há algo errado
um buraco criado;
meu peito esmagado;
calafrios de dor, onde
também existem
porções de remédios inúteis
e eu me pergunto
a causa do meu vício
a causa da minha agonia
como você está agora?
ainda por cima
questionam minha atualidade
só que não viveram um terço dela!
é fácil criticar
quando não se está na merda.
alguém trouxe uma tempestade
que destruiu tudo
e o que restou
foi esse maldito buraco
meus pêsames ou obrigado?
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amarelo é vivído
setembro é sombrio
lembram dos mortos
e alertam aos vivos
das mortes que eles tem nas mãos.
a solidão é uma amiga
que me acompanha faz
dias
meses
e anos
na escola onde as amizades
são baseadas em interesse
você está sozinha
no trabalho onde as pessoas
somente te suportam
você está sozinha
em casa, sua família
está presente,
mas por alguma razão
a solidão também.
no fim,
você está sozinha.
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é crônico
esse espinho
que viaja pelos trilhos
da minha exaustão
é crônico
meu sorriso
tão falso, imagine!
mostrando uma expressão
é crônico
muitas crônicas
de uma lamentação
é crônico
esse suspiro
esse aviso
minha nossa!
esse martírio
por isso, cansada do crônico
vivo minha própria crônica
de labutação.
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olá amigos.
depois de 4 meses de bloqueio poético e desânimo, estou de volta.
muita saudades de todos.
a luz no fim do túnel que tanto procuro
ao atravessar esse caminho frio e escuro
não encontro essa luz em lugar tão obscuro
tenho andado a tantos anos
calçados desgastos, fome dolorosa
fome de paz
isso é o que me motiva a continuar
encontrar essa luz que vai me libertar
só que
eu realmente vou encontrar?
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eles não se importam com a gente
morremos dentro de nossas casas
não usufruimos dos nossos direitos básicos
os ricos mais ricos, o pobres mais pobres
aquele alimento caro, pode ficar mais caro
todos desesperados, buscando um salvador
só encontram anjos caídos, também chamados políticos.
incerteza é a palavra
que reverbera em nossas almas
sairei e voltarei pra casa?
vivo? morto?
ainda podendo andar?
com meu celular?
vivendo um dia de cada vez
com calma em direção ao nada
é inacreditável
ninguém faz nada!
desemprego e fome: "normal, uma hora acaba!
chacina na favela: "normal, uma hora acaba!"
país indo de mal a pior: "normal, uma hora acaba!"
sim, uma hora acaba.
acaba com a gente
mas, bem... o que deveríamos esperar?
eles não se importam com a gente
só nos resta a forca
não disse pra quem.
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um dia a Vida disse para Morte:
— ora, Morte! você é tentadora... minha existência está no vácuo, no inconstante, cheia de perdas, cheia de dores. desde meu nascimento, há dor, há choro e ranger de dentes. ao contrário de ti, que é serena e cheia de paz – ela se lamentava
— sou um sinônimo do mortal, do que me valho? além de esperar por ti?
a Morte olhou para ela, sorrindo e disse:
— queres a mim? tens o livre árbitrio de desistir de sua existência. — a Morte olhou para o céu estrelado por um momento
— mas antes disso, olhe para lua, ao olharmos aqui de baixo, não percebemos o sol que está a ilumina-lá.
a Morte olhou para Vida que a observava
— entenda, ao olharmos somente por um lado, não veremos o verdadeiro significado da sua luz, mas somos ociosos e preferimos focar no que vemos agora.
a Vida franziu o cenho, confusa
— não entendo, Morte. o que isso tem haver com meu estado? a lua, nem o sol podem resolver minha dor. iluminam o mundo, mas não iluminam meu ser. o sol queima minha pele e me abandona no inverno. a lua ilumina minha vista, mas ainda me sinto perdida.
a Morte gargalhou
— claro, claro! o que você quer de mim, vida? queres a mim? lhe darei a mim. mas antes disso tens que parar de se lamentar e olhar para de trás da lua.
a Vida emburrada respondeu: — basta disso! você já disse que há o sol! o que há demais nisso?
a Morte olha seriamente para a Vida e diz: — você não se dá o trabalho de olhar para lua, mas tira as respostas pelo que eu digo. é mais fácil recorrer a mim? a buscar as respostas por si mesma? repito: olhe para o que há por de trás da lua e então, vai encontrar seu significado.
só então, sentirá repulsa por mim.
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me sinto tão bem
nesse tempo ensolarado!
tempo bom, iluminado
desejo sair, sentir o cheiro da brisa
socializar, deixar a fofoca rolar
eita, tempo bom!
mas aí de supetão
os ventos chegam
o tempo ensolarado fica escurão
minha cama agora é minha melhor amiga
socializar? nem pensar!
os pombinhos podem se danar
comer se torna difícil
vivo ou existo?
enfim... o transtorno bipolar!
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bem pequena observava o mundo
os sorrisos bonitos que não chegavam nos olhos
o amor estranho que machuca
a chuva gelada, o sol que esquenta
aprendia a mexer a cada dia
nessa bússola danada que nos orienta
caía daquela bicicleta rosa,
levantava e tentava andar de novo
e de novo.
sofri a dor de perder meu gatinho
chorei muito naquela ocasião
tive que doar meu cachorrinho
nesse dia, perdi um pedaço do meu coração
a dor de um joelho ralado
uma bolada na cara
aquela boneca quebrada
nos olhos de uma criança
esse é o fim do mundo
nunca imaginei que perderia muito mais
nunca imaginei as dores que iria experimentar
nunca imaginei que iria olhar para trás
e perceber a paz daquele lugar
agora percebo o sorriso
que não chega a tua alma
percebo hoje o seu abraço
somente uma faca disfarçada
o mundo ficou sombrio
perdeu todo aquele brilho
que uma vez sentia
mas faz parte!
mesmo que no fundo
eu sinta que algo está fora do lugar.
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