Hoje brilhou o vagalume
com toda a sua força.
Brilharam as estrelas
com toda a beleza.
Brilhou a lua
em seu esplendor.
Desta vez, o poste é que se apagou
pra dar vez a esse espetáculo.
E os besouros agora
são apenas o que eram: besouros.
(Isso é uma continuação do poema "besouros")
Continuar lendo
Olhos que falam
e falam além das palavras.
Olhos, janelas
que mostram a alma.
Olhos que veem
muito mais do que se mostra.
Olhos silenciosos,
mas não mudos...
Eles gritam existência.
Continuar lendo
Ao cair da noite,
no clarim do silêncio,
um fosco luar,
encoberto por nuvens escuras.
Na espessa escuridão
que se faz chegar,
sinto uma leve brisa a soprar
e chamar meu nome.
Continuar lendo
Eu vi um anjo nas nuvens,
com um arco e flecha nas mãos.
Mirava a Terra e,
enquanto sua flecha vinha em nossa direção,
ele olhava sereno,
como quem cumpre uma missão.
Seus cabelos longos,
esvoaçantes ao vento...
Eu pude ouvir sua respiração.
Batendo suas longas asas,
partiu para junto de Deus, então.
Continuar lendo
Quando criança, ouvi
meu pai a dizer:
“A chuva é Deus chorando
porque está triste com a Terra.”
Quando criança, ouvi
minha mãe a aconselhar:
“Menina, ande de chinelo,
para um resfriado não pegar.”
Quando criança, ouvi
de meu pai a ensinar:
“Um mais um é dois,
e isso não tem como mudar.”
Quando criança, ouvi
minha mãe a mostrar:
“O desenho na Lua
é São Jorge
com o dragão a lutar.”
Enfim, cresci.
E, para todas essas coisas,
ganhou-se uma explicação.
A chuva não é Deus chorando.
Eu não pego resfriado
só por andar descalço.
Um mais um realmente é dois.
E, na Lua, não há São Jorge,
muito menos dragão...
A gente cresce,
as ideias mudam,
a essência se perde,
e a verdade é nua e crua.
Não devemos perder
o gostinho da infância,
nem dissipar
tais boas lembranças.
Continuar lendo
Te ver embriaga meus olhos.
Eu fico tonta,
minha mente roda pensando em você
e meu estômago revira de paixão.
Fico arrítmica em sua presença,
e sua ausência é morte para mim.
Desse vinho
desejo beber eternamente.
Continuar lendo
Não houve estrelas no céu hoje,
nem vagalumes
para iluminar a escuridão da noite.
Apenas besouros que voavam
sob a luz de um poste.
E estes também brilhavam.
Contemplação é
também gratidão.
Uma gratidão silenciosa
que não precisa de palavras
ou atitudes.
Apenas estar ali
e observar profundamente
o que está posto
diante dos nossos olhos.
Continuar lendo
Hoje vi um caminho
tomado por folhas,
que foram espalhadas
pelo soprar dos ventos.
Folhas estas,
molhadas pela chuva
que o mau tempo trouxe.
E, em meio à fadiga
de mais um dia,
ainda pude ver beleza.
Beleza esta
que se esconde
nas coisas simples da vida.
...
É preciso ter olhos atentos.
Continuar lendo
A necessidade de um poeta morto
para que suas poesias
finalmente encontrem outros.
Há sempre uma parte
do nosso interior
que espera reconhecimento.
Há outra
que deseja permanecer oculta.
Poesias só têm valor
quando o corpo do poeta
já se ausenta do espaço-tempo?
Nossos olhos almejam
ver as palavras
que versamos no papel
sendo sopradas por aí.
Poesias não são
apenas lembranças,
mas a vida de um poeta.
Tal qual o ouro,
que só nos é importante
enquanto estamos aqui.
Depois que partirmos,
não velaremos por nada
que foi escrito em vida.
Peço-te, ó querido público,
ó triste humanidade,
que nos consuma
enquanto ainda há
ar em nossos frágeis pulmões.
Continuar lendo