Um Corpo Desesperado
Sempre que me perguntam Um sinônimo de infeliz Meus lábios não se abafam E como exemplo, me maldiz Mesmo eu, pensando em mentir Minha boca sincera e sem rodeios Rápida que só ela, começa a me trair: "Veja eu meu amigo, um miserável! Sou infeliz e muito um pouco mais, O mais infeliz dentre esses animais Uma criatura horrenda e odiável Tão franzino, fraco e vulnerável Que definha fingindo serenidade E por uma tolice de vaidade Morre sem perder as fantasias Sangrando a mão em horríveis poesias Buscando paz nessa infelicidade" A língua revela meus anseios Tão veloz que mal consigo sentir Nas palavras, os meus receios Sou tão infeliz que nem meu corpo comando Que verdadeiro de mais me condena A não conseguir esconder por onde ando A infelicidade que me desordena
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