Abismo
As pragas estão comendo minhas vegetações. Tem um demônio dentro de mim e nem sei seu nome. Meu sangue está correndo pelos degraus de uma catedral desconhecida. Eu não sei como cheguei aqui. Um anjo sentado na minha janela comendo maçãs e sorrindo pra mim com lábios vermelhos e olhos dourados. Ele me olha como se conhecesse minha alma, Mas sequer sabe meu nome. Eu, Tú, Nós... O incêndio controlado, O desastre programado para o nosso entretenimento, A ópera tocando alto, O teatro de todos os traumas, Tudo desaba diante dos nossos olhos. Tudo foge do controle e as chamas dançam no caos causando pânico no público, Mas não em você. Nós dançamos no fogo, Por que para nós, a vida já acabou a muito tempo. Pecado, Milagre, Desastre... Pode tentar se esconder de mim mas, eu conheço todas as suas cicatrizes, Sei que já desistiu algumas vezes. Eu também desisti, e você sabe quando olha pra mim, Você pode ver meu paraíso em chamas? Todas as flores que foram consumidas pelo calor? A minha inocência que foi violada? Violada por você também... Não somos os mocinhos dessa história, Não nessa vida. Mas vivemos como vilões. Sangue frio e sexo intenso. Cigarro acesso e incenso. Me dê um gole do seu corpo batizado. Sabemos que a magia acaba a meia noite e já são 23:30. Ingênuo, Cruel, Vivo... Pode ver o incêndio nos meus olhos? Eu tenho fome de vida. Eu nunca fui alimentada de felicidade, Então busquei um fôlego que me fizesse entender o que é viver, Por isso eu comecei beber. Se não existir nada além do abismo, Eu não quero me arrepender da vida que levei. Aguardo o inferno julgar meus pecados, Mas até lá, Existe um caminho a seguir, Várias escolhas a fazer. Mil tragos até o fim, ou mais... Quem sabe? Do seu Anjo rebelde, Meu Demônio gentil, Sobre essa Vida dura... Que venha a tempestade, Dançarei em seu caos até meus pés cansarem. Viverei e beberei até a última gota do meu corpo de veneno.
Comentários · 0
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.