É no silêncio
Que o tempo arrisca parar
Passa devagar
Tendo a correr
Sem entender o que se passa
O que me aguarda
É no silêncio
Que o tempo tende a percorrer
Mas faz devagar
Divagar pelos lugares
Diante dos meus olhos
No horizonte
O vento que vem e passa
Não para
Mas eu paro
Estou parada
O sol busca a findar também,
Como o céu que escurece,
Lentamente
Devagar
Tende a acordar diante a escuridão
Tremeluzindo na luz cor de prata
Refletida em traço oblíquo
No infinito distante
A superfície da lua arredondada
A luz
Que dança
Balança viva
Na trama do oceano
Os ventos e a brisa
Enamoram
Terça viva
Água viva
Despedidas
Devagar
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Um mergulho
De uma só vez
A água submerge o corpo
Como um choque
Você acorda
Sente o frio imediato
O ar no pulmão sendo comprimido
Como uma força extraordinária
Mas invisível
Tampa a respiração de súbito
Um susto
O ar não entra mais
A água fria te toma inteira
A sensação
Meche os braços
Os dedos
Os pés e as pernas
E nada
Mais nada
Um mergulho
E mais nada
Uma vez apenas
torna suficiente para conhecer
A força e a linha tênue da vida
Um susto
Nada mais
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O pudor poda-me o corpo
O desaguar não desaguado do sentir que acaba definhando no cansaço
Ou no mormaço do asfalto quente após um breve chuvisco
O coração
Não sei se anda cansado demais de sentir ou de não sair gritando em versos ou...
Me envergonho
Observo como criança
Que antes era tão simples e contraditório, mas mesmo assim era fácil viver, escrever, dançar e até mesmo olhar de um jeito diferente
Agora
É como procurar um oceano fora de si pra poder experienciar os sentimentos, as emoções, o sentir
Até mesmo o medo acaba sendo abafado no silêncio
Não cabe em mim, ou em nós o sentir não desaguado
Acaba afogando o âmago
Cria feridas que não cicatrizam em lágrimas salgadas
Me envergonho...
Não
Não é vergonha
É cansaço
É o sentir abafado
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Dói o peito
De dentro pra fora, uma mão ilusória arranca-o ainda pulsando
Um vermelho e vibrante sangue se derrama
Passa pelos dedos como água
O calor ainda na pele
Esvai
Escapa pelos extremos do corpo
O frio do vento que passa coagula cada gota de sangue
E impregna nas paredes do ser
Inesquecível tremor no íntimo
O inferno em questões de segundos torna-se cada vez mais real
Tudo emudece
Os ouvidos esquecem de ouvir
A boca congela
Com lábios fechados e frios
Não hão de abrir
O pulso diminui
A pressão entre os dedos cede
O coração mucha de uma vez
O frio toma conta
E morre em questão de segundos
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Eu as ergui diante o céu azul
Límpido brilho emergindo as pétalas
Em tons vibrantes faltou-me ar
Como criança
O sorriso me deslumbrou
Balancei os braços
E no topo
Os ramos entre os dedos
Seguram-se pra não cair
Entre um e o outro
Juntos
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Um pouco suspenso no ar
o som de Si exagerado
arrodeando Com delicadeza
toda à Sétima sentença
esta imperdoável
grita no eco e deixa percorrer pelo espaço
anda para Lá e para cá
cada vez Menor torna-se o som
o mais Grave é sentir o nó na garganta
apertando cada vez mais
que não tenhamos Dó entre as cordas vocais
pra gritar
esfaquear com as palavras
cortar os nós
pra contar como é arroxear os dedos
as mãos
De tanto lutar contra Si mesmo
E cada detalhe conta
se deixarmos pra trás
ou superar os medos e perigos da mente
Do amanhecer ao Entardecer
cada vez Menor o Sol tende a ficar
movendo a findar o dia
assim como a findar a noite
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Eu pergunto
Como é gritar sussurrando
E respondo em seguida
Cantando
Um lampejo
Me rasguei durante a noite
Um punhal descendo sobre meu peito
O sangue escorre gota a gota
Vermelho
Límpido
O calor sai de dentro pra fora
Estas são como crianças
Inocentes
Muito lúcidos
Mas o peito aberto arde demais
Queima profundamente
Cada segundo é uma eternidade
O coração tenta continuar o trabalho
O restante do sangue circula no corpo
Mas todos como um impulso pulam pra fora
Cruzam o limite que não se pode cruzar
O desdém dos olhos arredores
Os dedos apontando
O julgamento
Como bruxa herética
Estranha
Diferente de todos
Esguio-me dentro do meu íntimo
Tento incansavelmente me esconder dentro de mim
Mas não caibo mais
E nas minhas próprias mãos o meu sangue escorre
Onde devo ir
Qual mão irá acudir-me
Ou devo seguir com o roteiro
Mesmo com peito aberto
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O céu escuro, diante dos meus olhos, deleita-se
O glamoroso estrelado das constelação brilham à mim
Terno abraço que chama-me o nome
E me saúda ao amanhecer e ao entardecer
Tocando minha pele centímetro por centímetro
Cada fio de cabelo
Cada pelo do braço
Mudando as cores de mundo
Emudando as vozes da cabeça
O silêncio e o barulho da vida que se passa em torno de nós
Os suaves tons de azul e de amarelo
Pintas bonitas de aquarelas
O branco das nuvens de dias claros
E o escuro da noite arrodeada de ventos
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Põe o teu olhar sobre meu sepulcro
Onde jaz minha vida não terminada
Onde inicia e termina minha jornada
Sobre uma vala de terra
E sob o céu de cinza
Cinzas
Jogue-as ao mar
Onde sempre foi minha morada
Sentenciada
Me aprisiona desde o nascimento do corpo até meu sutil parecer
De crimes que não lembro cometer
Entre vidas
Vários nós e linhas de energia
Karmas e perseguições
Novelas e invenções
Andarilha e aprendiz da vida
Nos erros que hão de lembrar-me a meta
A verdade
Sozinha
Ou não
Eu caminho
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