Foto de erica_pamela

erica_pamela

@serdesereia · desde 2019

sou natureza ;

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Azul e Amarelo

É no silêncio Que o tempo arrisca parar Passa devagar Tendo a correr Sem entender o que se passa O que me aguarda É no silêncio Que o tempo tende a percorrer Mas faz devagar Divagar pelos lugares Diante dos meus olhos No horizonte O vento que vem e passa Não para Mas eu paro Estou parada O sol busca a findar também, Como o céu que escurece, Lentamente Devagar Tende a acordar diante a escuridão Tremeluzindo na luz cor de prata Refletida em traço oblíquo No infinito distante A superfície da lua arredondada A luz Que dança Balança viva Na trama do oceano Os ventos e a brisa Enamoram Terça viva Água viva Despedidas Devagar

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Mergulho

Um mergulho De uma só vez A água submerge o corpo Como um choque Você acorda Sente o frio imediato O ar no pulmão sendo comprimido Como uma força extraordinária Mas invisível Tampa a respiração de súbito Um susto O ar não entra mais A água fria te toma inteira A sensação Meche os braços Os dedos Os pés e as pernas E nada Mais nada Um mergulho E mais nada Uma vez apenas torna suficiente para conhecer A força e a linha tênue da vida Um susto Nada mais

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Desabafado

O pudor poda-me o corpo O desaguar não desaguado do sentir que acaba definhando no cansaço Ou no mormaço do asfalto quente após um breve chuvisco O coração Não sei se anda cansado demais de sentir ou de não sair gritando em versos ou... Me envergonho Observo como criança Que antes era tão simples e contraditório, mas mesmo assim era fácil viver, escrever, dançar e até mesmo olhar de um jeito diferente Agora É como procurar um oceano fora de si pra poder experienciar os sentimentos, as emoções, o sentir Até mesmo o medo acaba sendo abafado no silêncio Não cabe em mim, ou em nós o sentir não desaguado Acaba afogando o âmago Cria feridas que não cicatrizam em lágrimas salgadas Me envergonho... Não Não é vergonha É cansaço É o sentir abafado

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Finado

Dói o peito De dentro pra fora, uma mão ilusória arranca-o ainda pulsando Um vermelho e vibrante sangue se derrama Passa pelos dedos como água O calor ainda na pele Esvai Escapa pelos extremos do corpo O frio do vento que passa coagula cada gota de sangue E impregna nas paredes do ser Inesquecível tremor no íntimo O inferno em questões de segundos torna-se cada vez mais real Tudo emudece Os ouvidos esquecem de ouvir A boca congela Com lábios fechados e frios Não hão de abrir O pulso diminui A pressão entre os dedos cede O coração mucha de uma vez O frio toma conta E morre em questão de segundos

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Colheita

Eu as ergui diante o céu azul Límpido brilho emergindo as pétalas Em tons vibrantes faltou-me ar Como criança O sorriso me deslumbrou Balancei os braços E no topo Os ramos entre os dedos Seguram-se pra não cair Entre um e o outro Juntos

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Sanidade

Acorde

Um pouco suspenso no ar o som de Si exagerado arrodeando Com delicadeza toda à Sétima sentença esta imperdoável grita no eco e deixa percorrer pelo espaço anda para Lá e para cá cada vez Menor torna-se o som o mais Grave é sentir o nó na garganta apertando cada vez mais que não tenhamos Dó entre as cordas vocais pra gritar esfaquear com as palavras cortar os nós pra contar como é arroxear os dedos as mãos De tanto lutar contra Si mesmo E cada detalhe conta se deixarmos pra trás ou superar os medos e perigos da mente Do amanhecer ao Entardecer cada vez Menor o Sol tende a ficar movendo a findar o dia assim como a findar a noite

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Ênfase

Eu pergunto Como é gritar sussurrando E respondo em seguida Cantando

Dever

Um lampejo Me rasguei durante a noite Um punhal descendo sobre meu peito O sangue escorre gota a gota Vermelho Límpido O calor sai de dentro pra fora Estas são como crianças Inocentes Muito lúcidos Mas o peito aberto arde demais Queima profundamente Cada segundo é uma eternidade O coração tenta continuar o trabalho O restante do sangue circula no corpo Mas todos como um impulso pulam pra fora Cruzam o limite que não se pode cruzar O desdém dos olhos arredores Os dedos apontando O julgamento Como bruxa herética Estranha Diferente de todos Esguio-me dentro do meu íntimo Tento incansavelmente me esconder dentro de mim Mas não caibo mais E nas minhas próprias mãos o meu sangue escorre Onde devo ir Qual mão irá acudir-me Ou devo seguir com o roteiro Mesmo com peito aberto

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Tons

O céu escuro, diante dos meus olhos, deleita-se O glamoroso estrelado das constelação brilham à mim Terno abraço que chama-me o nome E me saúda ao amanhecer e ao entardecer Tocando minha pele centímetro por centímetro Cada fio de cabelo Cada pelo do braço Mudando as cores de mundo Emudando as vozes da cabeça O silêncio e o barulho da vida que se passa em torno de nós Os suaves tons de azul e de amarelo Pintas bonitas de aquarelas O branco das nuvens de dias claros E o escuro da noite arrodeada de ventos

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Caminhos

Põe o teu olhar sobre meu sepulcro Onde jaz minha vida não terminada Onde inicia e termina minha jornada Sobre uma vala de terra E sob o céu de cinza Cinzas Jogue-as ao mar Onde sempre foi minha morada Sentenciada Me aprisiona desde o nascimento do corpo até meu sutil parecer De crimes que não lembro cometer Entre vidas Vários nós e linhas de energia Karmas e perseguições Novelas e invenções Andarilha e aprendiz da vida Nos erros que hão de lembrar-me a meta A verdade Sozinha Ou não Eu caminho

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