Romantização
A romantização sempre esteve presente na minha vida, quando era criança, eu gostei do menino que trabalhava no mercadinho da esquina, mesmo ele possuindo o triplo da minha idade; me apaixonei pelo batom vermelho da minha vida avó, mesmo ela nunca me deixando usar; imaginava ver árvores através do feixe de luz do vidro da janela; e criava lindas histórias de amor para minhas Barbies. Quando virei pré-adolescente, eu romantizei objetos; adorava meus brincos de argola com brilho, porque parecia uma roda gigante; me apeguei a um determinado cheiro de perfume que eu nem lembro mais o aroma; adorava maquiagens fortes porque me sentia adulta; colori meu cabelo para me sentir diferente; e usava sempre um colar com um lindo botão de flor, que hoje está guardado em uma caixa velha do guarda-roupas. Até que eu conheci o amor romântico e romantizei-o. Eu reduzi o amor a apenas uma forma de sentir, e tornei meu parceiro, o único objeto amável, e quando isso aconteceu, eu passei a me perder, pois esqueci das coisas que possibilitavam que EU fosse EU. O romantismo, é lindo e puro, a romantização é tóxica e idealista. Hoje, eu amo algumas coisas, como: ler um livro que possua uma história fascinante; comprar plantas e sujar minhas mãos quando troco elas de vaso; os sábados me trazem paz, porque vem acompanhados de calmaria, inclusive, a solitude me encanta. Mas hoje, o que eu realmente amo, é me olhar todos os dias e perceber que não sou uma estranha para mim, não mais. O amor romântico próprio, me salvou. 00:17 19 de março de 2023. -Dani com Y
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