Mas não esquecemos
Uma janela de cortina, interior e sol, Sem nada pendendo para fora, As coisas que o tempo leva, Mas guardamos na memória. E um dia, quem sabe quantos, Choraremos sobre o vazio Das coisas que já foram, E das que ainda irão, Todas, embora. ... Hoje estou em minha cama, Logo estarei na minha cova, E lá deitado, lembrarei de que? As coisas vão soar como flashbacks? Ou vai ser tudo mais frio? como anda sendo, Lembrarei de que... lembrarão de mim? Eu serei a janela vazia de alguém? Bom... todos somos em algum momento... Mas, Eu serei a memória de afeto?... de infantilidade, De comida cheirando pela manhã, De mochila nas costas, da brisa fria, do verão quente, Das paixontes ridículas, Eu serei algo nostálgico? Algo que vestido de preto, se chore sobre? ... O tempo vai se esgotar e eu queria me desculpar de todos que vi o rosto, No topo da existência as sutilezas são enormes, E me dá muita vontade de chorar, Por nada que eu não tenha feito, De tudo que eu nunca poderei mudar, Sobre mim, e sobre o mundo. Cada dia que passa, Cada nome que some, Cada rosto que borra, Cada amor que vai... Você será a história de um fantasma esquecido, O mundo é um romance de vultos, de passagens egoístas e velozes... Escolha aquilo a que quer ser, Os tempos sentirão o vazio de não ter sua alma, E todos os homens a posterior darão risadas, Enquanto em suas reluzentes bondades, Caminham para ser algo como ti, Caminham para a sua energia nostálgica Que assombra o mundo de saudades. Mesmo que de forma misteriosa e oculta, O cosmos te amará pela sua energia, E deixará isso em eterno segredo, Mas em um ponto do tempo, Você não será esquecido. Uma janela de cortina, interior e sol, Sem nada pendendo para fora, E sentimos falta de algo que se estenda, Algo que dali saia e sorria, que já vimos tanto, Mas já não é, sumiu, foi embora, E tudo que se sente são suas vibrações, A sua lembrança ainda tão presente Para se dar um nó na garganta, Olhar aos céus, E chorar com um sorriso, sobre cada memória, Da antiga janela vazia. Que foi
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