Da eterna mágoa fiz-me cativa
E ao nada, que sinto, me entreguei
Fui antes de ser
E morri antes de viver
Passei a vida toda a chorar e a sofrer
Atrás de lamúrias que senti
E na vontade amarga do não viver
Os passos que dei perdi
A alegria assim vai fugindo
E a dor que vai surgindo
Há também de sumir
Quando, na inconstância do tempo,
Eu, que nunca fui, partir
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Eu transbordei de novo
Quando te vi passar
Assim bem devagar
Caminhando sem pressa
Olhando o céu
Em seu olhar
Tão lindo
Me encontrei
Lugar que fui, sou e quero estar
Lembrei daquele seu meio sorriso
Que abre meu peito
E faz da imensidão um lugar pequeno
Sem aviso
Te vi chegar, inundando pouco a pouco
Meu coração
Que bate em sintonia com o seu
Rimando, transcrevendo, transbordando
Você
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A voz da minha estrela se emudeceu
Seu brilho intenso a lua roubou
Não vejo mais a derradeira esperança
Que ao alçar voo feneceu!
O silêncio leva-me ao torpor
Súplicas exasperadas anseiam
Sua lírica, amado meu
Coisa alguma ouço senão isto
Diz e sentencia-me a prisão perpétua
De sua doce voz, de seu doce canto
Leva-me à morte, pois prefiro morrer
Em seus braços do que viver e não ser tua
Em sua melodia hei de repousar
E ainda que tarde eu durma
Cedo irei te encontrar
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Juraram me fazer eterno, mas como se o infinito de repente ganhasse um limite deixaram meus dias contados. Mas sorri, porque chegar ao fundo é sempre melhor do que continuar caindo...
Facilmente levada pelo que me apraz
Vícios, manias...
Tanto faz
Tudo transborda
Pelos excessos que sinto
Sempre tenho muito a dizer
Nunca minto
Mesmo em silêncio grito
Exalo exagero
Se tem tristeza, choro com certeza
E pelo desespero
Num pedaço de papel escrevo
Se canto, canto até perder a voz
Se amo, amo em demasia feroz
Sempre mais
Nunca menos
Sentindo demais
Culpo-me em pensamentos
Por erros
E sentimentos
Por esses intensos ápices
Sempre deixo minha desculpa
Na ponta da língua
Ou do lápis
E pelo sentir tanto
Antes de qualquer compromisso
De antemão já aviso
Sinto muito por isso
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Queria morrer na curva dum verso
Tomando um café expresso
Morrer fazendo o que amo
Com as vontades que clamo
Morrer na boca que chamo
Causar batidas irregulares no coração amado
E acendê-lo em chamas
Como faz um poema recitado
Morrer derramando lágrimas
De risos dados sem sacrifício
Um passo para o precipício
Um passo para o eviterno
Mas covarde sou
Escrevo isso na sombra
Dum sol que já passou
E que brilho não mais tem
Escrevo no intervalo
Duma prorrogação
E com um estalo na mente
Vejo-me incapaz de seguir em frente
Assim em minha limitação
No máximo morrerei de tédio
Pelos desejos que não vivi
Pelos poemas que não escrevi
E pela covardia dum Bem- te- vi
Que tem receio em voar
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Sou constante infortúnio
Que em doses conta-gotas de amargor
Morre um pouco todos os dias
Caminho para a única certeza
Esperando encontrar nessa estrada
Ao menos um deleite passageiro
Vivo somente pela esperança
Mesmo que essa tenha morte precoce
Um poema lá do rascunho sempre olha cabisbaixo pra mim
Ele sorri e tenta me convencer que é bom o suficiente para ser adotado
Mas sempre fui muito egoísta para ficar sozinha naquele orfanato
Me desculpo com ele e ele diz que os irmãos sempre vão e ele fica. Coitado!
Numa dessas idas e vindas vai acabar fugindo
E trazendo todos os outros ao lado
O céu chora
Inundando poças
Eu chovo
Inundando dor
Quisera eu ser o verso da poesia que te encanta
Ou mesmo a fantasia de um coração alucinado que arde de paixão quando pensa em sua amada
Quisera eu ser o sorriso de quem tem a sorte de encontrar o verdadeiro amor
Ou até a lágrima de alguém que sente dor
Quisera eu ser bandeira branca em tempos de guerra
Ou o simples brotar da flor na primavera
Ah, se pudesse ser a brisa que passe livre tem por seus maravilhosos nuances
Ou quiçá ser a poetisa que escreve versos que te abraçam
Quisera eu ser eu e por um momento seu olhar encontrar o meu
Quisera eu ser a musa do meu poeta...
Talvez assim entenderia que tudo que quisesse eu seria
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