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Vivis

@santosvivi · desde 2019

E na entrelinha Do não dizer Digo mais do que diria Se de fato tivesse dito

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Inconstante

Da eterna mágoa fiz-me cativa E ao nada, que sinto, me entreguei Fui antes de ser E morri antes de viver Passei a vida toda a chorar e a sofrer Atrás de lamúrias que senti E na vontade amarga do não viver Os passos que dei perdi A alegria assim vai fugindo E a dor que vai surgindo Há também de sumir Quando, na inconstância do tempo, Eu, que nunca fui, partir

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Coração cheio

Eu transbordei de novo Quando te vi passar Assim bem devagar Caminhando sem pressa Olhando o céu Em seu olhar Tão lindo Me encontrei Lugar que fui, sou e quero estar Lembrei daquele seu meio sorriso  Que abre meu peito E faz da imensidão um lugar pequeno Sem aviso Te vi chegar, inundando pouco a pouco Meu coração Que bate em sintonia com o seu Rimando, transcrevendo, transbordando Você

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Letargia

A voz da minha estrela se emudeceu Seu brilho intenso a lua roubou Não vejo mais a derradeira esperança Que ao alçar voo feneceu! O silêncio leva-me ao torpor Súplicas exasperadas anseiam Sua lírica, amado meu Coisa alguma ouço senão isto Diz e sentencia-me a prisão perpétua De sua doce voz, de seu doce canto Leva-me à morte, pois prefiro morrer Em seus braços do que viver e não ser tua Em sua melodia hei de repousar E ainda que tarde eu durma Cedo irei te encontrar

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Se o amor falasse

Juraram me fazer eterno, mas como se o infinito de repente ganhasse um limite deixaram meus dias contados. Mas sorri, porque chegar ao fundo é sempre melhor do que continuar caindo...

Sinto muito

Facilmente levada pelo que me apraz Vícios, manias... Tanto faz Tudo transborda Pelos excessos que sinto Sempre tenho muito a dizer Nunca minto Mesmo em silêncio grito Exalo exagero Se tem tristeza, choro com certeza E pelo desespero Num pedaço de papel escrevo Se canto, canto até perder a voz Se amo, amo em demasia feroz Sempre mais Nunca menos Sentindo demais Culpo-me em pensamentos Por erros E sentimentos Por esses intensos ápices Sempre deixo minha desculpa Na ponta da língua Ou do lápis E pelo sentir tanto Antes de qualquer compromisso De antemão já aviso Sinto muito por isso

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Amargo desejo

Queria morrer na curva dum verso Tomando um café expresso Morrer fazendo o que amo Com as vontades que clamo Morrer na boca que chamo Causar batidas irregulares no coração amado E acendê-lo em chamas Como faz um poema recitado Morrer derramando lágrimas De risos dados sem sacrifício Um passo para o precipício Um passo para o eviterno Mas covarde sou Escrevo isso na sombra Dum sol que já passou E que brilho não mais tem Escrevo no intervalo Duma prorrogação E com um estalo na mente Vejo-me incapaz de seguir em frente Assim em minha limitação No máximo morrerei de tédio Pelos desejos que não vivi Pelos poemas que não escrevi E pela covardia dum Bem- te- vi Que tem receio em voar

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Morte

Funéreo

Sou constante infortúnio Que em doses conta-gotas de amargor Morre um pouco todos os dias Caminho para a única certeza Esperando encontrar nessa estrada Ao menos um deleite passageiro Vivo somente pela esperança Mesmo que essa tenha morte precoce

Órfão

Um poema lá do rascunho sempre olha cabisbaixo pra mim Ele sorri e tenta me convencer que é bom o suficiente para ser adotado Mas sempre fui muito egoísta para ficar sozinha naquele orfanato Me desculpo com ele e ele diz que os irmãos sempre vão e ele fica. Coitado! Numa dessas idas e vindas vai acabar fugindo E trazendo todos os outros ao lado

Lágrimas

Ambíguo

O céu chora Inundando poças Eu chovo Inundando dor

Ternura

Mutável

Quisera eu ser o verso da poesia que te encanta Ou mesmo a fantasia de um coração alucinado que arde de paixão quando pensa em sua amada Quisera eu ser o sorriso de quem tem a sorte de encontrar o verdadeiro amor Ou até a lágrima de alguém que sente dor Quisera eu ser bandeira branca em tempos de guerra Ou o simples brotar da flor na primavera Ah, se pudesse ser a brisa que passe livre tem por seus maravilhosos nuances Ou quiçá ser a poetisa que escreve versos que te abraçam Quisera eu ser eu e por um momento seu olhar encontrar o meu Quisera eu ser a musa do meu poeta... Talvez assim entenderia que tudo que quisesse eu seria

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