Onde a intensidade toca a vulnerabilidade,
Te tenho entregue, possuo seus segredos.
O tempo é nosso, mas você sente medo
Talvez corramos por algo que não nos pertence
E dói em mim, você mora no medo e o tempo nos escapa,
Mas não consigo te resgatar do mundo que criamos essa noite...
Enquanto podemos, vamos parar de correr
Enquanto não acaba, vamos tentar ir mais devagar
Chora, mas não me deixe, e deixe que o tempo embale
Essa noite
-Raya B.
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Platão defende uma mente infinda
Uma que transcende à findade da vida
Dizia da mente "uma alma independente"
Aprisionada e reduzida no cérebro da gente
Forçada a alimentar uma corpo inóspito
Condenada, mas só até a data do óbito.
Um elemento subjetivo, feito de vitalidade
Conjugado sob "a imputada" à mortalidade:
A carne, feita para ser abandonada.
Eu encontraria esse tal Platão
O chamaria em discussão
Ele dizendo que o corpo se faz prisão
Eu dizendo que sozinha, a alma vive a solidão
Pensemos bem, o que não morre não nasce
Se ao espírito não há fim, o início com ele habita
O que existe é espírito, parte desse íntimo etéreo
Que de tão grande, transborda em lindas belezas
Como pode ser o corpo uma punição àquele que vive no vazio?
Nós, frutos de corpo e espírito, sentimos
E sentimos porque arte é magia e sentir é o artístico imaterial
O corpo que é pequeno, se regojisa no espírito
O espírito, que é tão grande, já conhece o sentimento, é dono dele, não sente, mas há~
O que somos nós se não arte? Materialização do espírito? Que dá ao eterno a oportunidade de experimentar a beleza do que cria, a melancolia do que acaba e a experiência da transcendência ao sentir o toque do divino com o efêmero?
O espírito é a própria sensação, o corpo é a oportunidade.
E tudo se resume em uma sinfonia, com a qual vou dançar enquanto não acaba.
-Raya B.
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Grande o débito de quem com retidão caminha
Antolhos me circunscrevem a direção
Isolam como barreiras no coração
Sigo (rápido) adiante trilhando sozinha
-Raya B.
Em mim, todo pequeno grito
Se faz homem ou se faz mãe
Se embola com meu pretérito
Despe-me de mulher
E novamente sou pequena e infante
~
Pé de manga, coqueiro, palma
Subir no pé rindo, vitalidade invejável
Catar o fruto, repartir entre irmãos
Tirar palma, dar de comer pro gado
A gente tira a fava que pai plantou
Mãe pôe o grão da panela e cozinha
No dia, a família toda trabalhou,
E no jantar, comeu fava com farinha
Cuscuz com caldo de cozido e galinha
O abraço e afeto da minha mãezinha
Apesar da escassez da simples vidinha
Não renuncio o saudosismo à minha rocinha
-Raya. B
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Único show de estreia e encerramento
Acompanho a batida improvisada, atento
De bailarino prudente, eu não caio
Com esforço, danço o baile sem ensaio
Danço no mesmo palco, mas danço solo
Ouvindo solamente a batida da canção
Que marca o tempo que desenrola
E os potoques de colegas de apresentação
A cada nota, luto para acompanhar
Tal sintonia, imprevisível e impaciente
Aos tropeços, tento domar a harmonia
Exigência que se cobra incoerentemente
Me convencendo de uma música pessoal
Sapateio abafando o antigo ritmo forçoso
Ignorante de que não há novo ritmo autoral
Apenas, do passado, rearranjo tendencioso
-Raya B.
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Caríssima Senhora Dor,
"Senhora" de ter sido junta à senhora memória
Que cumpriu seu dever e partiu adiante
Que por ela ficou de cobrar as dividas deste devedor
O preço que queres cobrar é caro de fato
É por meio deste que venho então reclamar:
O direito de recusa à experiência de custo alto
Declaro que ao doutou Esquecimento vou me afiliar.
Carissíssima Senhora Dor,
Seu contínuo devedor quem vos escreve
Do esquema de Esquecimento tenho horror
Ele ilude, aprisiona, mas ninguém se esquece.
Ademais, venho por meio deste lhe contatar
Pois seus agiotas, solicito que pare de enviar
O Vazio e a Inquietude vieram a se cansar
De tanto, alternadamente, minha cara estapear.
Venho, bem como, informar da minha condição
Estou pronto para pagar, de minha dívida, o preço
Que pela ignorância não tenho mais afeição
Se a memória não me acresce, terei, no mínimo a liberdade que mereço.
-Raya B.
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Queria ser triste
Sem o peso da tristeza,
Mas a liberdade.
-Raya B.
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"O rosto que poso e a imagem que reflete-me
É perfeito
Às margens d’água vejo e admiro
Satisfeito
Águas bentas, visão divina
Me deleito
Ó água, me seduz; Água, me abstrai
Me envolve
E me trai, trai a virtude, meu fôlego esvai
Dito e feito
Me consuma, ó pecado perfeito!
Eu aceito."
-Raya B.
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De todas as artes, escolhi a das palavras, como nota-se por meio deste.
E de tão poetisa, em vez de ilustrar em formas e teoria de cores para exprimir meus sentimentos em dimensão, pinto o que vejo em palavras;
De tão poetisa, deixo de entrelaçar e cruzar compondo novas peças em fino manuseio, e me enrolo ao brincar com fios de pensamentos;
De tão poetisa, diferente de mover meu corpo em ritmo e sentido, busco sincronizar meus versos com o ritmo que vibra meu peito;
De tão poetisa, em vez de compor sinfonias, uso figuras de linguagem e sílabas para harmonizar o timbre do meu lápis com a melodia;
De tão poetisa, não uso máscara e batom para apresentar-te mil versões da minha face, mas te mostro meu âmago em [uma] natureza amorfa e multiforme;
De tão artista, tenho uma coleção de escritas incompletas que
-Raya B.
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