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Rayane

@raya_1 · desde 2026

Apenas uma amante das palavras ♥️

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Esta noite

Onde a intensidade toca a vulnerabilidade, Te tenho entregue, possuo seus segredos. O tempo é nosso, mas você sente medo Talvez corramos por algo que não nos pertence E dói em mim, você mora no medo e o tempo nos escapa, Mas não consigo te resgatar do mundo que criamos essa noite... Enquanto podemos, vamos parar de correr Enquanto não acaba, vamos tentar ir mais devagar Chora, mas não me deixe, e deixe que o tempo embale Essa noite -Raya B.

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Os Saltimbancos: Mente, Corpo, A Arte e O Espírito

. Platão defende uma mente infinda Uma que transcende à findade da vida Dizia da mente "uma alma independente" Aprisionada e reduzida no cérebro da gente Forçada a alimentar uma corpo inóspito Condenada, mas só até a data do óbito. Um elemento subjetivo, feito de vitalidade Conjugado sob "a imputada" à mortalidade: A carne, feita para ser abandonada. Eu encontraria esse tal Platão O chamaria em discussão Ele dizendo que o corpo se faz prisão Eu dizendo que sozinha, a alma vive a solidão Pensemos bem, o que não morre não nasce Se ao espírito não há fim, o início com ele habita O que existe é espírito, parte desse íntimo etéreo Que de tão grande, transborda em lindas belezas Como pode ser o corpo uma punição àquele que vive no vazio? Nós, frutos de corpo e espírito, sentimos E sentimos porque arte é magia e sentir é o artístico imaterial O corpo que é pequeno, se regojisa no espírito O espírito, que é tão grande, já conhece o sentimento, é dono dele, não sente, mas há~ O que somos nós se não arte? Materialização do espírito? Que dá ao eterno a oportunidade de experimentar a beleza do que cria, a melancolia do que acaba e a experiência da transcendência ao sentir o toque do divino com o efêmero? O espírito é a própria sensação, o corpo é a oportunidade. E tudo se resume em uma sinfonia, com a qual vou dançar enquanto não acaba. -Raya B.

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Antolhos no Peito

- Grande o débito de quem com retidão caminha Antolhos me circunscrevem a direção Isolam como barreiras no coração Sigo (rápido) adiante trilhando sozinha -Raya B.

Dores infantinas

Em mim, todo pequeno grito Se faz homem ou se faz mãe Se embola com meu pretérito Despe-me de mulher E novamente sou pequena e infante

Saudosa Roça, Memória Querida

~ Pé de manga, coqueiro, palma Subir no pé rindo, vitalidade invejável Catar o fruto, repartir entre irmãos Tirar palma, dar de comer pro gado A gente tira a fava que pai plantou Mãe pôe o grão da panela e cozinha No dia, a família toda trabalhou, E no jantar, comeu fava com farinha Cuscuz com caldo de cozido e galinha O abraço e afeto da minha mãezinha Apesar da escassez da simples vidinha Não renuncio o saudosismo à minha rocinha -Raya. B

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O Ballet

Único show de estreia e encerramento Acompanho a batida improvisada, atento De bailarino prudente, eu não caio Com esforço, danço o baile sem ensaio Danço no mesmo palco, mas danço solo Ouvindo solamente a batida da canção Que marca o tempo que desenrola E os potoques de colegas de apresentação A cada nota, luto para acompanhar Tal sintonia, imprevisível e impaciente Aos tropeços, tento domar a harmonia Exigência que se cobra incoerentemente Me convencendo de uma música pessoal Sapateio abafando o antigo ritmo forçoso Ignorante de que não há novo ritmo autoral Apenas, do passado, rearranjo tendencioso -Raya B.

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Cara Dor, cara

Caríssima Senhora Dor, "Senhora" de ter sido junta à senhora memória Que cumpriu seu dever e partiu adiante Que por ela ficou de cobrar as dividas deste devedor O preço que queres cobrar é caro de fato É por meio deste que venho então reclamar: O direito de recusa à experiência de custo alto Declaro que ao doutou Esquecimento vou me afiliar. Carissíssima Senhora Dor, Seu contínuo devedor quem vos escreve Do esquema de Esquecimento tenho horror Ele ilude, aprisiona, mas ninguém se esquece. Ademais, venho por meio deste lhe contatar Pois seus agiotas, solicito que pare de enviar O Vazio e a Inquietude vieram a se cansar De tanto, alternadamente, minha cara estapear. Venho, bem como, informar da minha condição Estou pronto para pagar, de minha dívida, o preço Que pela ignorância não tenho mais afeição Se a memória não me acresce, terei, no mínimo a liberdade que mereço. -Raya B.

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Seu Nome era Narciso

"O rosto que poso e a imagem que reflete-me É perfeito Às margens d’água vejo e admiro Satisfeito Águas bentas, visão divina Me deleito Ó água, me seduz; Água, me abstrai Me envolve E me trai, trai a virtude, meu fôlego esvai Dito e feito Me consuma, ó pecado perfeito! Eu aceito." -Raya B.

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[Todas] As Palavras de uma Artista

De todas as artes, escolhi a das palavras, como nota-se por meio deste. E de tão poetisa, em vez de ilustrar em formas e teoria de cores para exprimir meus sentimentos em dimensão, pinto o que vejo em palavras; De tão poetisa, deixo de entrelaçar e cruzar compondo novas peças em fino manuseio, e me enrolo ao brincar com fios de pensamentos; De tão poetisa, diferente de mover meu corpo em ritmo e sentido, busco sincronizar meus versos com o ritmo que vibra meu peito; De tão poetisa, em vez de compor sinfonias, uso figuras de linguagem e sílabas para harmonizar o timbre do meu lápis com a melodia; De tão poetisa, não uso máscara e batom para apresentar-te mil versões da minha face, mas te mostro meu âmago em [uma] natureza amorfa e multiforme; De tão artista, tenho uma coleção de escritas incompletas que -Raya B.

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