Ele se foi
Os vermes logo o atacaram
O homem qualquer morreu
Se deixou levar
Depois da vida de lutas
Lutas cegas
o homem qualquer morreu
Qualquer era seu sobrenome
Era a sua saida
Era o seu pesadelo em vida
Ele morreu
Pobre homem
Com um sobrenome belo
Um homem qualquer se foi
Para sempre se foi
sem nada
Sem rumo
Nem seu corpo levou....
Amargo rum
Doce rum
Salgado rum
Doses de nadas
Doses de tudo
Doses de sortes
Mundos imundos
Doses delirantes
Vidas errantes
Doses de rum
Doses amargas do rum
Daquele rum estragado
Deixado de lado
Esquecido
Rejeitado
Crucificado
Comidas jogadas nos lixos
Humanos comendo restos
Revirando latas
Revirando vidas
Revirando cicatrizes
Gentes comendo migalhas podres
Sem sal
Sem mel
Com fel
Humanos jogados nos lixos
Comidas podres
Comidas ricas
Comidas pobres
Aids no corpo
Dos doentes
Aids na alma enferma
Aids na sociedade
Na mente da sociedade
De uma sociedade hipócrita
De uma sociedade doente
Doente de preconceitos
Doente de ilusões
Todos aideticos
Todos doentes
Ou quase todos
Eu quero gritar por ai
Saborear o vento
Ser veloz que nem o pensamento
Quero percorrer os mares
Viver a liberdade
Quero amar a mim mesmo
Ao outro
Ao tudo
Te amo midia
Por ser devassa ..cruel e futil
Te amo por ser uma qualquer
Por não se importar
Por não ser o que precisa ser
Te amo querida midia
Por ser uma demente
Dentro de uma tela
Por ser medíocre por afetos
Por viver dentro do dinheiro
Comandando mentes humanas
Fracas de espirito
Ansiosas pela carne rica
Do mercado
Te amo muito
Muito mesmo midia
pois sempre esteve do lado dos pobres
ah ..como te amo
ironicamente amarei a tua face
Os teus recados
As tuas noites ..
Ali no lixo
Ali nas pedras
Nas pedreiras
Nos esgotos
Um rapaz se mostra
Se esconde
Se machuca em si mesmo
Ali ao longe
Um rapaz se aglutina
Aos entulhos de nadas
Aos entulhos de restos
De restos de comidas
Ali perto ..um rapaz ainda respira
Fatigado ..desalmado pelos seus
Horrorizado com o que fez
Com o que causou
Ali
Ali
A. L. I.
A. L. I
Bem perto de ti
um rapaz pede ajuda
As flores murcham
Murcham
Murcham
As flores cantam
Cantam
cantam
as flores pensam
Pensam
Pensam
As flores vibram
Vibram
Vibram
As flores morrem
Morrem
Morrem
As flores beijam
Os espinhos
Os espinhos
As flores casam
Com espinhos
Com espinhos
As flores pulam
desapercebidas
Embebecidas
Mortificadas
Espinhadas
Espinhentas
E morrem
De novo
De novo
Eu me perdi no meu outro eu
No eu de sonhos roubados
De amores rabiscados
E foram muitos amores
Desamores
Fiquei todo esse tempo preso
Nas teias
Nas garras alheias
Fiquei preso nos gritos
Gemidos horriveis
Fiquei preso dentro de mim mesmo
Virei fantoche de tempos
De pessoas
De lugares
Quando percebi... encontrei outros fantoches
Que tentavam ser gente ..sem ser
Ficaram sendo fantoches apenas
Um dois Três.
Dias de sol. Tempestade
Dias de nuvens. Amores jogados
Semanas e mais semanas
Cantigas e sonhos loucos
Um. Dois. Três
Passados rebuscados de outrora
De jovens rebeldes por rebeldias
Presentes funestos de ideais
De mordaças ameacantes
De sonhos congelados
Um. Dois. Três
Futuro incerto no certo
no errado certo
No certo errado
Sonhos desmantelados
Escondidos
As luzes do futuro
Incerto
Um. Dois. Três
final
Fim