A vida de mulher me entendia
Seria uma Onça
Se não fosse uma tia
Sussuarana
Onça Parda na Savana
Acordaria espreguiçada em grosso tronco
O endereço seria mata
talvez perto de um quilombo
Um rio passaria e nele beberia
Sem sede de vingança
Só a sede de uma Onça
E com a lingua felina abriria a cortina
Daquela água cristalina
Farejaria minha presa
Caçaria com destreza
E se por algum momento quisesse poupa-la
Saberia que a mulher em mim ainda fala
Lembraria dos tempos de mulher
Acordando cedo e tomando café
Sendo a presa e vivendo em vão
Vendo a labareda azul desse fogão.
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Sou tão grata a você
Todo amor que te dei
Aprendi com ele e ele em mim ficou
Sou tão grata a você
Apesar de te amar e não ter seu olhar
Cultivei o carinho que hoje posso me dar
Sou tão grata você
No crescer do pássaro preso
Sua gaiola fui enfeitar
Sou tão grata a você
Não preciso da certeza do seu amor
Pois quando me vi bela, não foi você quem me elogiou
Sou tão grata a você
Pois não me sentia acompanhada e nem querida
Conheci a falta, virou minha amiga
Sou grata a você
E a sua nobre fidelidade
Percebi que ali não encontraria lealdade
Sou grata a você
Fui espelho do orgulho que você quebrou
Sou grata a você
E Dona do Amor que você negou
Sou grata a MIM
Amei demais, demais sem mim
O Amor doeu, escarrou em mim
Disse pra ela
Nunca se esqueça
Sou professor
Da sua cabeça!
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A Puta que Ama
A Puta que Engana
Ama o Povo e seus Caminhos
Engana o Outro que nos Quer Sozinhos
A Puta que Abre
A Puta que Sabe
Abre Caminhos e Conta Histórias
Escreve Seu Destino Marcando Memórias
A Puta que Ensina
A Puta que Refina
Ensina o que Aprendeu e o que Perdeu
Refina o Gozo seja Meu ou seja Seu
A Puta que Agarra
A Puta que Amarra
Agarra a Luta pois Sabe sua Sina
Amarra a Conduta
Dominando Tudo que a Domina
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Poema não é feito de Amor
O poema vem da Dor
Poema de Amor parece bonito como um laço
Quem escreve sabe bem a dor do parto
Poema dói porque contrai
Poema dói porque dilata
Poema dói porque coroa
Poema dói porque ecoa
Poemizar é sentir a dor do peito se espalhar
Dor que irriga o corpo, mas sai nos dedos
Dor que diz ao morto, que nem na morte haverá sossego
Dor profunda que parece não ter fim
Vai pro papel e fica olhando pra mim
Aí que vejo nela alguma beleza
Que Dor bonita, nem parece tristeza!
Gerei tanta dor, rasguei pele e papel
Finalmente pari o Amor
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A minha vergonha não tem nome
Nem hora de me atormentar
Ela está no seu olhar, aí atrás, olha!
Minha vergonha me persegue, fica atrás das moitas, tô toda-toda, quando vou ver, ela lá!
A minha vergonha não tem nome
Mas tem a quem chamar
Ela me tira o equilíbrio
Bota o sangue pra irrigar
Trás sussurros no ouvido...
"Ela está a te olhar"
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Estar só acompanhado
é de uma melancolia
Seja noite ou seja dia
A presença morta do vivo
Parecer estar ali de castigo
Que vá ser feliz
Não me traga sua secura
Qualquer Ser precisa de carinho
E Sua indiferença só me trás amargura
Eu só queria minha solidão sossegado
Aprendi que é melhor sozinho
Do que mal acompanhado
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Bora escrever uma poesia?
Daquelas que fazem querer ler todo dia
Daquelas que mostram lá dentro a nossa verdadeira fantasia
Daquelas que aninham o chakras todo da menina
Daquelas que fofocam mais sobre você do que sua tia
Daquelas que te fazem companhia
Daquelas que vem na hora da louça, lá na pia
Daquelas que derramam a sensação de gozo sobre o dia
Atenda meus Desejos
Descubra Meus Anceios
Me cubra de Carinhos
Invente para nós um Ninho
Nas aventuras contigo
Meu medo se esvaindo
Beijando e gargalhando
Na garupa me apaixonando
Até lembrar
Já sonhei com teu olhar
Antes de te conhecer
Oṣun veio me dizer
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5 anos contigo
5 anos comigo
5 anos aqui dentro
5 anos que saímos
As românticas
As não-monogâmicas
Não há contradição
Nós brincamos nesse vão
Buscando liberdade
Construindo essa cidade
Lutando por direitos
Enxergando nossos defeitos
Meia década mergulhando fundo
Perturbação, azaração, discussão
Que venham mais meia para a práxis
Compreensão, multiplicação e dizer não
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Conhecer o outro
Para que o
outro não mais seja
Desafiar-se a entender
Perceber sentimentos que não são nossos
Notar que o outro se apressa por pouco
E nós também
Não pesar pelo que carrega o semblante
Escolher o que entra como seu da partilha
Escolher entre tantos afetares, o que é moeda e o que é promessa, devaneio, desejo do outro sobre ti...
Isso deve ser contemplado e refletido na cabaça do tempo
Na dor tudo inflama, mas não precisa piorar, dentro da cabaça há remédio
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