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Em negação enxergo pareidolias em meus cabelos ou em mim?
Invento formatos e desenhos de mim mesma para suportar o monstro gentil que alimentei. E quem sou eu senão o monstro? E quem sou eu senão gentil?
A polarização do/de ser
trancafia uma parte de nós a cada dia. Sufoca.
E emerge afoita,
quando como quase ficamos sem ar embaixo d'água e procuramos a superfície desesperadas.
Nós temos dificuldade em aceitar que somos mesquinhos e generosos.
Pacientes e impetuosos.
Amamos e odiamos.
Honestos e traidores.
Básicos e supérfluos.
Admiro a ilusão de quem afirma: "eu sou assim!"
– ou será que invejo? –
Na superfície saber de si é como respirar
Na profundeza:
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como saímos de dentro da cena?
onde é dentro
e onde é cena?
A minha mentira mais honesta é a autenticidade.
A minha condição mais humana é dizer que sou para não me perder entre as setas que levam aos mesmos lugares.
Eu sou,
porque todo mundo é.
E todo mundo é o quê?
E o que é que eu sou, além de ser?
Quais os substantivos e adjetivos que cabem no ser?
Quais as palavras que escolhemos para nos pensar e nos tornar
diante do outro e de nós?
Angustia é estar fora e não sair de si.
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Ela é bonita,
eu nunca havia fitado meus olhos em sua face.
Sua presença incomoda
Mas não como uma pedra no sapato
(não nos meus)
É um incomodar provocativo,
e não tem nada que me inebrie mais que um cutucar,
Uma crítica nas entrelinhas
Uma provocação vestida de nudez da cabeça aos pés.
Ela é voz no silêncio
Presença, mesmo que em dias tristonhos
não queira ser percebida.
Terra não se disfarça,
a gente pisa com pés descalços,
e sente
É toque, pertencimento
Terra úmida
Terra seca
Terra de quem?
Terra sem lei
É Terra
Tenra
Mas cuidado,
Terra também soterra.
Só terra
Só
Terra
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Pede
Pé de
Sentir
Sem ti
Ser-te
Decidi entre a inspiração que me faz suspirar como já não achava possível
...
E decisões mudam,
Eu culpo o signo:
Deve ser o sol na balança, essa lua em touro, ascendente em aquário...
E a vênus, ah, minha vênus em sagitário!
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Na dúvida, seja gentil.
Na certeza, seja gente.
(_________...)
abro aqui a definição do que você entende por isso.
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Minha eu de lá
Minha
Mim
Eu
de cá de lá
Movimento gravado não é movimento
É lembrança
É lembrete
Lembrar é bom
Mas ir adiante
É melhor ainda
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A menina colhe
Recolhe
Se encolhe
Diante da imensidão
do verde que lhe cerca
Se plante
para ver se um dia matura o verdadeiro significado do ser
Ser no sentido de sentir
Sentida
Natural
Natureza
Se a menina deixa de colher
O verde continuará
Permeiando
Se o verde deixar de fornecer
Humanóides perecem
Ver de novo o verde
respeite
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Por tempos senti o peso da projeção e me enganava dizendo que era dor nas costas. Era o outro que me machucava, me feria e me fazia sorrir. O outro. Não eu.
Tive empatia por quem diziam que eu era, até cair no conto de Narciso e me enxergar na superfície e quanto mais me aproximava do que me refletia mais achava me reconhecer. Doce engano.
Tocar nossa liquidez é se afogar em quem somos e se "Narciso acha feio o que não é espelho" é porque não há nada mais angustiante do que se encarar por dentro, "no breu, no silêncio".
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Samsa morreu de inanição ao metamorfosear e insistir no corpo antigo, nos hábitos, família, lar,
pensamentos antigos.
Samsa já estava morto quando renasceu em um inseto.
A dor de Gregor era quando se suprimia,
a morte de Gregor foi quando se deixou revelar
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Distanciamos nossas mãos do corpo numa tentativa de se eximir e achar que a culpa é sempre do outro ou que não temos alcance para fazer algo. De mãos atadas em cordas frouxas passo para informar que ideologia de gênero existe, caso contrário o assassinato de corpos e corpas de pessoas trans e travestis e a tentativa de apagar as subjetividades e desumanizar estas pessoas não seriam um plano posto em prática diariamente e com tanta paixão pela vontade de violentar e apagar o outro.
Quem tenta assassinar sou eu e você, pessoas cis. São aqueles que encontram em sua fé, um aparato para serem vil, torturadores e dissimulados, ou ao menos fé nos homens que disseminam o ódio através delas (se você é uma pessoa de fé que foge a esta descrição, essas palavras não são para você, mas talvez algumas outras palavras aqui expostas te sirvam). O nosso mal é levar pro pessoal assuntos que não nos dizem respeito e nos tornarmos alheios daquilo que é responsabilidade nossa. Quase me esqueci do Estado, que é uma cúpula de tanta gente de bem e de oligarquias que nos saturou e que acha ter permissão para matar.
Nós não somos tão bons quanto parecemos, pois ser gentil em nosso círculo de convívio é como se lambuzar no mel. Quem somos de verdade despreza a humanidade do que difere do binário, inumano, na verdade somos nós.
Quando usamos o termo "selvagem" de maneira pejorativa e acadêmica, esquecemos ou ignoramos que esta selvageria toda é branca, é cis, é hétero e é homem em sua totalidade. Não basta uma nota de rodapé retificando que o colonialismo firmou a desigualdade, não basta tapinha nas costas dizendo que se solidariza com os grupos majoritários (pois minoria mesmo, minha gente, são os que estão no poder) e quando tem oportunidade de verbalizar e materializar os conhecimentos prefere o conforto do privilégio de deixar como está, but Black Lives Matter in social media. #somostodoshumanos
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