Porção de mim
Cercado de teus cuidados
De todos os lados
Isolado do mundo
Esquecido de mim
Não mais te vejo ou ouço
Um mar vazio
Ou cheio de algo que nos é estranho
Ocupa o espaço que antes era somente teu
Precisamos de uma garrafa
E algumas mensagens
Para fazer uma grande travessia
E trazer de volta ao contato nossas orlas
E preencher com nossas vidas as águas desses mares
PLDCV
Gravataí, 09 – 20/07/2012
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Ouço.
Transporto-me para onde não conheço.
Vejo.
Estou onde sempre estive.
Penso.
Acordado é melhor sonhar.
PLDCV
Porto Alegre, 2004
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Narilene ganhou três sapatos.
Um deles, de salto solto.
Outro, sem a sola estava.
O terceiro, desenhado a lápis sem ponta,
Narilene dobrou para colorir outro dia.
E seguiu descalça pelos sonhos que podia ter.
PLDCV
Gravataí, 23/05/2012
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Queria ser centro e sou esquecido.
Sou centro onde queria estar incógnito.
Sirva-se. As frutas estão frescas, orvalhadas da manhã.
Sumarentas doces frutas.
Doces e delicadas peles que te envolvem.
Serena assim serena a fitar o doce
lume da manhã que se insinua.
Teu corpo delicado dentre a bruma.
Provemos do pomar
sobre a relva inda molhada.
Seus pés nus o que temer
na relva fresca e fina.
Venha entre estas alamedas
por onde vago e se
sozinho eu me perco.
É doce o rico sumo das
frutas do pomar.
Prove.
Tome de minha boca
o sumo dessa fruta.
Dividamos.
E sobre a relva esqueçamos
olhando o céu que nos protege,
sentindo a brisa que me traz teu cheiro.
Tu és presente.
Sinto presente para a vida.
Serei eu digno de que proves
dos pomares nos quais me perco?
Dos pomares que plantei na minha mente?
Pedro Viegas
Porto Alegre, Setembro 2001
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Ouço.
Transporto-me para onde não conheço.
Vejo.
Estou onde sempre estive.
Penso.
Acordado é melhor sonhar.
PLDCV
Porto Alegre, 2004
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Preciso continuar nesta linha.
Atesto o desconcerto na brandura calma,
Diafanar de dia findo, tepidez parada,
Luas vazias e mancheias,
Quanto custa, quanto custa.
Giro não é sério sem eixo
Imaginário ou feito de algo.
Bonecos ou não, deixam um espaço
Entre aqui e ali.
E parece haver um caminho ou mais
De uma saída.
Ao menos.
PLDCV
Porto Alegre - 200?
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Plastifólios. As gotas rolam livres.
Ar quasiplexo desfeito no borborigmo.
Leveza maior que a do algodão adocicado
Girando e o vento levando a bola de cor salteada.
Que memória clara e que movimentos.
Traços livres pensam moldado algo que vem,
Na semana, no fim de semana,
Um vaso velho
Arranhado ou semi quebrado,
Cola tudo, nem é possível.
Tecido, tem sido difícil,
Ter sido sarcástico,
De madeira, de carne,
De plástico.
PLDCV
Gravataí – ?
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Flor na minha tela
IndecoRosa
Mente delicada
Pensa flora
Enquanto a miro tenso
Fina palidez
A imagino
Coisa nova, tez do pêssego
Então a despetalo
Na minha retina
PLDCV
Gravataí 01/03/2012
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