Tristeza
Hoje passei por uma situação que me deixou bastante triste. Estava na fila do açougue no supermercado perto de casa, ao lado de três jovens muito bem-vestidos, com roupas de marca, tênis caríssimos e celulares de última geração nas mãos. Quando chegou a minha vez pedi dois quilos de pé de frango. Eles começaram a rir e me chamaram de cachorro. Naquele momento confesso que fiquei constrangido e triste. Não por estar comprando pé de frango para levar na marmita, mas por perceber que algumas pessoas ainda acreditam que o valor de alguém está naquilo que ela veste ou consegue comprar. Sou cantoneiro, ganho pouco. Uma parte do meu salário ajudo a sustentar meus irmãos em casa e a outra uso para pagar minha faculdade. Não tenho vergonha do meu trabalho, muito menos da comida que coloco na minha mesa. Pelo contrário, tenho orgulho de cada coisa que conquisto com o meu esforço. Talvez eu não tenha um tênis de milhão nos pés ou um celular de última geração nas mãos, mas tenho sonhos, responsabilidades e dignidade. E fiquei pensando: o que vocês fariam se estivessem no meu lugar? Revidariam, ignorariam ou simplesmente seguiriam em frente? Eu escolhi seguir. Porque quem conhece o peso da própria luta não precisa diminuir ninguém para se sentir grande.
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