Encaro meu corpo com brutalidade
Há tanta coisa imperfeita
Eu não sou o modelo plástico da beleza.
Mas quando você me toca, eu viro poesia.
Música, arte, furor.
E enxergo amorosamente a morada que me permite, com toda a doçura do mundo,
desfrutar do prazer corpóreo do amor.
A superfície serena não entrega
Que dentro do peito há dureza
Solidez que convive com poesia
Porque é impossível sobreviver com delicadeza
Se toda existência é luta.
Cada parte do meu corpo se sensibiliza com a dor alheia.
O sofrimento das mulheres pelo mundo
A violência contra as crianças
As prisões feitas erroneamente
Os animais abatidos
As florestas dizimadas.
Sinto meu corpo em carne viva
Cada pedaço de angústia latente
E como deixar tudo fluir, se nada posso consertar?
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Quando o amor aparece
E você se sente novamente viva.
Um sopro de ar puro revigorando os pulmões.
É a brisa fresca que faz arrepiar o corpo.
O mar de calma que enleva a vida.
A limpidez de certezas novas.
É a vida, renascendo.
E você, mais forte, vivendo em dois.
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Um sopro.
Fugaz.
Breve.
Efêmera.
É a vida.
Aos que já foram estrangeiros em outras terras
Desmembrando áridos caminhos
Construindo lembranças em solo alheio
Àqueles cuja alma nunca mais foi saciada
Porque um coração viajante
Nunca mais é capaz de ficar raízes.
E, de repente, você volta.
Quando a tempestade no peito acalma, você volta.
Quando a paz volta para o peito, você volta.
Quando a saudade vira lembrança, você volta.
Quando a chama vira brasa, você volta.
Quando começo a trilhar novos caminhos,
Você volta.
E eu não sei se quero correr para os seus braços de novo, com esse desespero que me dói até o fundo da alma.
Ou se devo ser justa, e dizer:
Eu parti.
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Corre em minhas veias.
Escorre pelos poros.
Pulsa, com vivacidade.
Estremece ao roçar da pele.
Em cada inspiração.
O amor vocalizado,
geme.
Sou metade de mim quando estou com você.
Parcial, semi-humana, frações da minha identidade.
Porque você sufoca meus pedaços mais bonitos.
Eu fico procurando compensações.
Porque o teu abraço é muito seguro na escuridão da noite.
E eu não sou capaz de encontrar conforto em outra parte.
Renuncio a mim mesma.
Sou falha e erro.
Incompreensão, desacerto.
Engano obtuso.
Aguda incerteza.
Buscando a verdade, encontro o dilema.