o despertador toca
completa escuridão, não consigo acha-lo
a luz me toca
abro os olhos, nem tinha levantado
abre a porta, dá uma olhada em volta
diz algo sobre não esquecer de almoçar
e sem mais palavras, vai embora
não sei se o senhor ainda me ama
sei que mudei muito desde quando era criança
eu sempre tento dar orgulho como filho
mas hoje, eu só não consigo
levantar da cama.
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e dentro do coração sentia-se insatisfeito
você sabe do que falo, esse pesar
mesmo que tenha o feito, podia ser mais
podia corrido até as pernas pararem de funcionar
podia ter amado até desaprender a falar
podia ter feito e evitar pensar
pois nessa cama, descansa
como se tivesse carregado o mundo
o seu, ao menos, que não é muita coisa
seu fardo não passa de o de um garoto moribundo
doente de espelho
e foge, se isola nos cantos
até me lembra uma barata ou um moleque fedelho
ouve um barulho e tenta se esconder nos mantos
falha em se acalmar e ser feliz
entre lágrimas e prantos
ela te envolve nos seus braços e diz
"filho não se cobre tanto"
eu te amo
*
e não deixou de ser garoto
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você, meu senso de mudança
eu, o seu senso de segurança
você, apaga os problemas, tudo
eu, aquele que teme pelo futuro
aparece de fininho nas linhas
cria poemas sem rimas
cria caminhos e sentidos
para andarilhos perdidos
entre a emoção e a liberdade
entre a razão e a verdade
mas eu, intercalado
desaprendo, deixo de lado
visto a máscara da insegurança
visto a máscara da confiança
mesmo sentindo
perco o sentido
meus sentimentos e meus pensamentos
meus pensamentos e meus sentimentos
nunca rimam sozinhos
nunca rimam sozinhos
mas, intercalados, rimam entre si.
mas sempre rimam entre si, intercalados.
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maçante, torturante, amedrontador
ainda o recebo, de forma singela
dor que se torna agravante
o medo, preocupação sincera
digo, o coração é assim mesmo
mas não aquele que bombeia
é o que traz preucupação, receio
agitação, que semeia a paixão
é uma bobagem sem motivo
ou uma punição pra um emotivo
que procurava por dias e dias
um sentimento que cada vez mais se perdia
como andar sem sentidos
em calçadas sem sentidos
eu diria, não tem sentido procurar melodias
quando o coração pede a poesia
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um comprometimento consigo mesmo
é amor próprio eu diria
sobre o berço limitante
sobre o sofrimento do dia a dia
só uma estrela que brilha
distante, linda, mas sozinha
têm um efeito acalmante
o silêncio fascina
é comum nas luas minguantes
onde só aquela estrelha brilha
no reboco e na tinta, cria-se um mirante
a almofada começa um questionário
e uma pergunta me revira
será que essa noite eu fiz o bastante
para acordar revolucionário?
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despedidas mal feitas
entre noites e dias
viram receitas
para uma vida maldita
que se perde em letras
em situações críticas
entre leitos e beiras
ou se joga, ou se deita
mas que maldição é essa
que queima e corta as cenas
me deixa a par com o esquecimento
longe de lemas, longe de certezas
o que domina são os momentos
preenchidos, um mar de tristezas
deságua, e o que resta é o sentimento
me perdi no que é realidade e o que é ficção
é o cupido, que curva as flechas com o vento
muda o sentido, perde a direção
eu entendi: é o tempo, a maldição
que me fez um menino procurando motivo pra ser vilão.
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aquele dia que tudo se acabou
nenhuma certeza e várias vontades
a confusão se torna uma doença
duas línguas que se entrelaçam, mas não se entendem
um beijo gelado, interveniente
e assim se foi, cada um para suas devidas casas
derramando suas próprias mágoas
segurando suas próprias lágrimas
segurando as minhas
sou um mero espectador
quem diria que o futuro seria tão assustador
ao ponto de me prender no passado
é culpa sua, penso
é você quem brilha demais
você, que volta de tempos em tempos
você, que invade minhas linhas
você, que me deixa lento
de repente eu nem ligo pras rimas
só revejo os momentos
talvez seja tudo culpa sua mesmo
é você, quem não sai dos meus pensamentos.
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pra mim é meio estranho pensar no futuro
por que até pouco tempo atrás eu não achava que viveria tanto
agora, todos em prantos, muitos encantos
foi tanta coisa que eu nem sei mais o que pensar
mas cada coisa que olha, vou te falar
eu acho que de tanto viver, de tanto pensar, de tanto me importar
o amor deixou de amar
a vida deixou de brilhar
tudo que eu falo já não têm importância
é cada um no seu quadrado
todos compartilhando sua própria ignorância
eu tento ouvir calado
mas a bagunça é tanta que me deixa enojado
eu pego tudo isso e fico pensando
ficar sozinho talvez nem seja tão errado
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é exatamente assim
quando a chuva atrapalha à vista
o vento traz uma frieza
estrondos ditam o fim do mundo
o problema é...
quando não há problema
quando se aceita as gotas
e o vento já não incomoda tanto
e os tremores não passam disso
e o frio e a calamidade
não passam disso
fico ali, em prantos
apesar de que o problema não é isso
é quando se fala sobre a chuva
mas não exatamente sobre ela
mas também exatamente ela
mas não tem sentido ser ela
pois letras não fazem sentido
mas as frases têm sentido
mas tudo que eu tenho sentido já não tem sentido
mas se estou sentindo deve ter sentido
mas se estou sentido, não tem sentido
mas se você tem sentido, fico sentido
pois sem sentido eu não posso estar sentido
e mesmo sentindo eu posso ter sentido
eu posso estar sentido mas não é o que tenho sentido
pois tudo que tenho sentido, de repente
não faz sentido
*
enfim
é difícil escrever na chuva.
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eu nunca fui muito confiante
eu nunca soube de nada muito importante
nem tão exuberante
nem tão silencioso
eu nunca tive tantas certezas
cético com tudo, eu sou
tudo pode mostrar suas presas
até que eu me perdi no amor
você mostrou sua beleza
meu amor pelo mundo voltou
você não se perdia muito nas letras
eu escrevia com clamor
você manteve aquela dureza
eu me entreguei
você perguntou se eu tinha certeza
eu confirmei
foi tão perto
hoje, de malas montadas
estou certo
eu não tenho certeza de nada.
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