Falar de você na casualidade é perceber as ausências
De afeto
De responsabilidade
De cuidado
De ser amado
Constantemente me via correndo uma maratona eterna para alcançar quem nunca esteve de fato a minha frente
Cercado de não insuficiência
Me alimentei das migalhas que um dia me foram dadas
Hoje posso alimentar um continente inteiro
o que faço com essa saudade que tu deixou martelando em meu peito?
do seu cheiro, do seu cabelo cacheado
dos olhos acesos como faróis em minha direção
o que faço? o que faço?
o espaço ocupado pela sua presença em minha mente agora é o lar de sereias e criaturas que só existem em minha imaginação
tal qual seu compromisso de amor para comigo
sentimentos e desejos unilaterais
é assim que eu movimento
às vezes para frente
dez vezes para trás
mas sempre no caminho da solidão
deixe que seu companheiro preencha o mundo físico com toques de seda
e braços de águas
que enchem
preenchem
inundam
do que é bom
e cá fico eu, no mundo da ilusão
onde tudo é visceral
Quando sol queima minha pele
E ferve o sangue dos nossos amigos
Eu vacilo em meus pensamentos
Lanço-me para o mais profundo abismo
Me choco contra sua íris
Há tristeza em todas vertentes
Faço parte de cada pedaço
Todos inacabados
Seu toque físico me puxa de volta
Revelando que da sua boca sai palavras de apreço
Para quem lhe conquistou
Não sendo a tristeza, o amor
desculpe por não conseguir ser o mínimo desculpe acordar tarde e perder o compromisso dessa tarde desculpe por prender o cabelo do mesmo jeito desculpe por não conseguir me importar com seu jeito exigente desculpe por quebrar a taça desculpe por dizer a primeira coisa que me veio a cabeça desculpe ser cautelosa com coisas inúteis desculpe por só pedir desculpas e continuar falando desculpe por só pedir desculpas para o que não dou a mínima
não consigo organizar uma bagunça
estou sempre adiantada
mas vivo esquecendo algo importante em casa
transformo toda viagem em nada
em algum momento vou vacilar
cairei dessa corda que agora se faz fina
serei milhões de cacos no seu chão
serei a bagunça
ontem te vi
e nessa manhã
sinto a falta da sua presença como se já tivesse esquecido a cor dos seus olhos
durante toda tarde
dos dias que se seguem
ouço diferentes barulhos dentro de mim
ossos, espírito, sentidos,
todos rachando, ruindo
pouco a pouco
vou ficando oco
é essa a sensação de quem não pode ser amado ou esse é o sentimento de quem não foi escolhido?
lembrei da tua pele
naquele fim de tarde
o sol indo embora
espelhando saudade no mar
não ouso mais estar nesse lugar
nada me restou além da dor do calor do vapor