Todas as noites eu saio pela rua, fumando um cigarro,
saboreando o silêncio e o sabor
do que um dia vai me matar.
Digo, não o tempo — porque esse destrói a todos —
mas o efeito do que hoje me traz paz.
Busque sentido para a vida e encontrará
Deus.
Duvide da existência d'Ele,
e encontrará o vazio.
Vazio.
De todos os males do mundo,
talvez o mais difícil de curar.
Companheiro do amor
e da desesperança.
Vazio,
de onde outrora existiu algo bom.
Cadáver da esperança,
que partiu sem póstuma lembrança.
O tempo?
O tempo corre,
veloz e imparável,
deixando um rastro de destruição.
São sonhos destruídos,
amores antigos,
amizades desfeitas.
O tempo a tudo corrói,
e nos resta saudade.
O cigarro queima,
e rapidamente se esvai.
Com ele, se vão minhas palavras,
e só resta um adeus.
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Ouço lamúrias revoltosas
De quem, por falta de voz,
nunca se soube dizer.
Se sentia, nunca falava;
se falava, mal expressava.
E foi assim construindo
espaços vazios,
colecionador de memórias
de solidão.
Sentiu e calou.
Calou e morreu.
Morreu por dentro,
a cada não argumento.
E um dia explodiu,
como em desatino
de quem talvez nem daqui seja.
De outro planeta ele veio?
Ou simplesmente não aprendeu
a ser o que é?
Ouço revoltas lamuriosas
de quem não tem voz,
e quem grita sou eu.
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De todos os defeitos imputados,
a ti diria que és perfeita.
Esse é teu defeito:
excessiva perfeição
em quem não se conhece bem
e não percebe bem
quem não lhe quer tão bem.
Tendo dito teu único defeito,
te deixo um segredo:
imperfeitas, todas as almas são.
E que perfeita imperfeição
a sua é...
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Rapidamente
o tempo se esvai
o ponteiro
que tão lentamente girava
já não tem o que marcar
se vão os amores
se vão os sonhos
se desfaz esperança
então
queremos ter mais
do que tanto desperdiçamos
pagaremos o quanto custar
pelo que nunca valorizamos
minutos se tornam horas
eternos se tornam os segundos
e partimos
partimos sozinhos
e nus
como viemos ao mundo
as lembranças
ficam
até serem apagadas
pelo correr imutável
das areias do tempo
e quem ficou
chorou
sentiu
passou
quem ficou
também morreu
sem saber como continuar
e querendo um minuto a mais
que fosse
mas não há como voltar
ps:
esse poema é minha despedida do meu pai, que veio a falecer no último dia 31.
É também meu último poema...
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em algum momento no futuro
(não) tão distante.
sorrirei, ao lembrar de ti
uma última vez.
então tudo acabará.
todas as lembranças do que fomos,
sentimos e vivemos.
se dispersando lentamente
a cada segundo,
até que não sobre nada
seu aqui.
seu cheiro se foi a muito tempo.
se juntou a ele a memória do seu rosto,
do seus olhos,
do seu beijo.
diariamente perco uma parte do que fomos.
e sem perceber,
sofro cada vez menos por isso.
um dia te encontrarei na rua,
e não te reconhecerei de imediato.
talvez em momento algum,
pra ser sincero.
seremos só mais dois estranhos,
que um dia se conheceram como ninguém.
um dia talvez eu me apaixone
por alguém,
e inconscientemente,
ela seja similar a você.
até que outra pessoa venha,
e as suas características
que eu tanto amava,
eu já não vou procurar.
um dia eu te esqueço por completo,
e te apago por inteiro de mim.
mas esse dia não é hoje.
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E o fim veio...
Servido em uma dose extra
de dor e sofrimento.
Meu peito se estilhaçou
como uma vidraça quebrada,
onde cada uma das suas últimas palavras
foi mais uma pedra atirada.
e eu me encontrei perdido
em meio a solidão da minha essência.
a música que te dediquei
me feriu com espinhos
que rasgaram minha alegria.
como acreditar que foi o que o destino quis?
ou será que ele não sabia
que aqui não existe nada se não somos Mais
Nós?
Tem uns poemas exclusivos lá no meu perfil do insta, se alguém tiver interesse, eu agradeço desde já @poesias_em_nota
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Só entendi o quanto te amava
Quando não estava mais ao meu lado,
e tudo que restava era um pequeno resquício do seu cheiro nas minhas roupas.
quando eu te vi em outros corpos; outros rostos; outros gostos.
Mas nenhum era você...
E chorei.
As lágrimas me desceram como rios pela face, e foram se juntar a chuva que cai.
Como se o céu
Juntasse seu pranto ao meu.
E tudo escureceu...
O céu escuro,
a vista embaçada,
A mente confusa de quem já não acorda mais com seu bom dia,
o toque carente do seu,
Até o gato já percebeu a falta que tu faz aqui,
Nem mia mais,
Talvez por respeito a minha dor,
Agonia demais
para suportar,
saudade demais
Me faz chorar.
lavei as roupas que tinham seu cheiro,
Na tentativa de te esquecer,
Mal sabia eu, que
no meu coração
só existe você.
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Do que falariam minhas poucas palavras, se não de você?
Não poderia ser o mundo tão mundo se tu não existisse.
Atemporal o seu sorriso, vendaval a sua partida.
Quantos batimentos do meu coração diriam o quanto te amo?
Ou será que só compreenderia a dimensão de tudo isso ao me ver em prantos?
Talvez seja melhor assim,
para de ti receber acalento,
meus heróis não morreram de overdose,
mas eu sim
por excesso de amor e saudade...
Uma lápide escrita em mármore:
Aqui jaz
Um covarde poeta apaixonado.
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"Somos pra sempre"
você me disse uma vez.
"e o pra sempre?"
meus fantasmas repetem.
Seus olhos se abrem pra o infinito
Abismo
Doce veneno nesfasto, o toque dos seus lábios.
mármore frio, meu corpo;
calor arredio, seu toque;
sendo julieta e romeu
mais afortunados,
ao encontrarem mesmo na morte
um último afago.
de grandes amores fiz chama,
cauterizando feridas
que já não doem mais.
de medíocres sentimentos fiz escrita
na tentativa de imortalizar-me
onde o tempo não alcança.
Já não me bastam sorrisos,
nem rasas palavras,
meu corpo traumatizado
já não se aquece com qualquer afago.
qual a Distância do adeus?
quantas vezes mais,
entre lagrimas, vou pedir a Deus
pra te tirar de mim?
e como te falar de dor?
se ela é tudo em mim
e você sempre se recusou
me conhecer a fundo?
sempre fomos nadadores de raso.
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