"O homem sentado - ou deitado -
observa a multidão que passa.
Sonha, sonha... sonha acordado;
Mas o sonho, como a multidão, logo passa.
Torna-se distante, intangível,
inalcançável, impossível.
'Pra que tentar, se não vou conseguir?
Por que subir, se, de certo, vou cair?'
Aprendeu que não tem voz, não tem vez;
ou que multidão não tem ouvidos, talvez.
Por isso, hoje em dia nem tenta,
nem busca. Apenas para, e senta.
E assim, este homem sozinho, largado,
é na verdade mais um dentre milhões,
que, da vida, não tira lições.
E, desencorajado, continua... apenas sentado."
-- Renato Fontes, 12/03/2010
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"Estávamos juntos no sonho, a caminhar.
A estrela nos iluminava e protegia
de um inevitável despertar:
O despertar para um novo dia.
Um dia que, de novo, não tem nada.
Sem você, os dias são todos iguais!
As tardes são vazias;
mas as madrugadas... Ah, madrugada!
É onde te encontro em sonho,
não quero voltar mais!
Então durmo, e sonho.
Posso te ver, tocar, beijar!
Não quero acordar.
Apenas recordar
tempos não vividos,
passados alternativos,
futuro esquecido.
Coisas que só aconteceram em minha mente...
Mas acordo.
O real mente.
A razão quer apagar da memória
esta história
achando ser o melhor.
Mas como se basear na tal razão
Para julgar um coração?
A mente fica confusa
E esconde esse amor;
Hoje, um breve lampejo
um momentâneo desejo
resulta sempre em dor..."
.
.
[Minha primeira poesia, lá em 2008, inspirada em uma paixonite de Orkut e um sonho]
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Vida cheia
de vida vazia
Desde o nascer
até o ocaso
Cheia de prazo
mas não de prazer
Tanto descaso
Sem tanto descanso
Apenas no aguardo
Apenas enquanto
Cheio da vida
Tão pouco vivida
Me esvazio do que
me esvazia de mim
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(Ou "Sobre não saber quem estou")
Sinto muito mas não sei o que sinto
Descrevo em rodeios, parece que minto
Calo, não ouço, encontro-me ausente
Espero que o sono esvazie minha mente
Não é fácil deixar ir embora
Mesmo quem,
pensando bem,
sempre esteve de fora.
Serei apenas uma memória,
Um coadjuvante em sua história?
Siga com seu teatro adiante
Eu ficarei - fui mais um figurante.
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O que me resta
Não supre
O que me falta
[Porque às vezes ele corre, às vezes quase para... mas nunca volta.]
"Passe, tempo,
que não me aguento,
não posso mais esperar.
Passe, faça os dias serem menores,
traga dias melhores,
não me faça implorar.
Sei que há beleza em ver
a cada dia o Sol nascer,
ao meio-dia brilhar, e depois se esconder...
Mas tenho certeza, há mais beleza
no que está por vir.
Então passe, passe correndo, tempo.
Voe como o vento,
e me leve contigo,
para o exato instante
em que a vou encontrar.
E quando finalmente chegar,
paciência.
Deixe o lento predominar,
deixe tudo mais devagar.
Pois é no lento que acontece o momento.
Agora, cada segundo deve ser eterno,
e cada abraço durar mil invernos.
Tempo... agora é a hora de parar.
Não quero que tome o lugar
de toda esta ansiedade
uma profunda, imensa e inevitável saudade."
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Somos só fagulha
No breu desta infinitude.
Incendamos almas.
Deixe-me ser o teu sossego
Em meio ao caos, aconchego
Que meu colo seja refúgio
Do paraíso, um prelúdio.
Para mau entendedor, meia palavra basta.
Para bom enganador, meia verdade basta.
Ante o teu furor, e de toda tua casta,
Devo depor em uma só palavra: basta.