Tempos e tempos de expectativa se passaram,
e perseverar foi realmente difícil, impraticável.
Do meu ponto de vista,
era um pensamento utópico
que o nosso tão esperado ósculo se consumasse...
Mas aconteceu!!
Tu me beijou, e eu te beijei!
E foi primoroso!!
Beijar-lhe foi tão formidável
como quando vemos fogos de artifício pela primeira vez!!
Na verdade, beijar-te foi como se
uma exibição fantástica de pirotecnia
tivesse explodido em meus lábios,
e me senti atônita com a sensação...
Foi memorável,
e todas as vezes após essa também foram.
E eu pretendo guardar essa sensação
eternamente.
— Renata Faria.
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Muitos pensadores, mentores e conselheiros
tendem a dizer que não se deve ir atrás do que se passou,
que não se deve anelar que o passado retorne,
pois o mesmo não volta mais,
e que ainda que o passado retorne,
ele não seria o mesmo...
Então você pode imaginar a estranheza
que tomou conta de meu corpo,
e o quanto me abalou perceber
que eu reajo da mesma forma perto de você.
Perto de você, eu me sinto boba,
ajo de forma desatinada, insensata,
e o que eu sinto sempre me arrebata
de forma desenfreada.
Meu coração te persegue,
pulsa por você,
e acelera tanto
que às vezes eu acredito ser taquicardia.
Quando que nossos corpos se fizeram longe,
eu vivenciei o amargor do fel,
mas quando o reencontrei,
e tornei a vê-lo,
fui tomada pela ternura
e envolvida pela sua presença.
A sensação foi idêntica a de outrora.
— Renata Faria.
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O Mistério da Noite
poderia apagar o Brilho do Dia?
Apolo, o Deus da Luz, é meu pai.
Pois é, o pai dos poetas,
musicistas e curandeiros
é meu pai também.
Então não é novidade
que eu sinto amor pela luz,
tenho sensibilidade artística
e que tenho vocação para cura.
As pessoas que me conhecem dizem
que eu irradio luz e felicidade.
Que minha cor é amarela,
e que eu tenho talento para música.
Mas tem uma coisa...
Uma coisa que nem o Oráculo de Delfos,
as Pitonisas, Tiresias
ou meu pai poderia prever!
Eu me apaixonei...
Por um filho de Hipnos.
Sim, Hipnos.
O Deus do Sono, do Esquecimento,
do Descanso e até a morte.
O amor da minha vida
é filho dele.
E estereotipado!!
Ele é reservado, melancólico,
misterioso e calmante...
É um ultraje!!
Um desastre!!
É só piora quanto mais eu penso nele,
pois eu associo o prata,
o azul escuro e o lilás...
Quando eu penso nele,
isso me acalma...
E eu vivo sonhando com ele...
Quero chorar agora...
Como isso poderia dar certo?
É um amor proibido, impossível!
Um afeto clandestino,
e pior ainda...
Não é mútuo.
Ele não me quer também.
O que faz total sentido
tendo em vista quem são nossos pais!!
Eu sou o Sol,
ele é a Lua!
Meu pai nos ensina
sobre a expansão da nossa mente,
e o dele,
sobre o limite da consciência.
Eu vivo minha realidade iluminada!!
E ele, vive no interior dos sonhos...
Eu prefiro o canto solar!
E ele, o silêncio noturno...
É simplesmente desesperador...
Eu estou rindo,
mas é de incredulidade!!
Eu sinto como se eu estivesse
profanando o legado de meu pai,
como se isso fosse
uma desonra enorme...
Eu tenho certeza
de que se os outros vissem isso,
ririam com escárnio,
ou apenas ficariam decepcionados...
Profundamente decepcionados.
Eu tenho quase certeza
de que foi Eros
que me fez sentir assim...
Na verdade,
tenho certeza absoluta!!
Ele com aquelas flechas dele
ligou meu coração ao dele,
e selou meu destino.
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Encantada.
É a única palavra
da qual eu consigo usar
pra descrever o meu sentimento
quando te vi!!
É a única que se encaixa perfeitamente.
Mas também posso usar outras,
como extasiada, fascinada, deslumbrada,
e várias outras,
mas nenhuma — e repito — nenhuma
se encaixa tanto quanto Encantada.
Sabe aquela parte da música da Taylor Swift?
"It was Enchanting to meet you"
é exatamente isso, garoto!
Eu não me sinto confortável
com pessoas do sexo masculino,
mas com você eu me senti muito confortável.
Você tem aquele dom
de deixar o clima leve, divertido, relaxante.
Você é radiante, divertido, legal,
e tem conteúdo garoto!
Você é meu número.
Eu não tinha tipo até te conhecer.
Só de saber que vou te ver,
eu me sinto radiante, contente, entusiasmada,
e em pouco tempo eu já sei
que nutro carinho por você.
Você tem aquele dom
de despertar o afeto nas pessoas facilmente.
Eu quero te abraçar,
conversar com você,
te sentir!!
Você é meu boy magia,
eu sei que a gíria é cringe — e que a palavra cringe é cringe —,
mas é realmente como se você tivesse um feitiço em você,
um feitiço que me faz querer pular de exaltação em te ver,
de ficar esperançosa pela sua presença,
e ao mesmo tempo me sentir nervosa
sobre como o meu cabelo está,
ou se estou cheirando bem.
Eu quero te guardar em um pote,
e te ter só pra mim,
mas ao mesmo tempo,
sinto que sem você,
o mundo não seria tão colorido
e brilhante como é agora.
— Renata Faria.
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Constância em um relacionamento é importante,
muito importante.
É com ela que vem a comunicação,
que nos trás harmonia e segurança.
Isso tudo é um fato,
um fato que eu sei
com toda veracidade possível.
Então por que somos tão inconstantes?
Se eu amo a ti, e tu me amas,
como não conseguimos ser presentes
e estar envolvidos um com o outro
como nós prometemos várias vezes?
Talvez nosso relacionamento
não seja regido por Afrodite,
nem por Eros
e muito menos por Hímeros.
Nossa ligação é regida por Éolo.
Éolo é o Senhor dos Ventos,
e eu não tenho dúvida alguma
de que é ele quem nos mantém ligados,
provavelmente por dó,
é a única explicação possível.
Pois nosso relacionamento é tão frívolo,
tão raso
que até a mais leve brisa,
ou apenas um sopro,
poderia leva-lo embora.
Não precisamos de corte de laços
quando quisermos que acabe,
pois nem começamos...
Nós precisamos de estabilidade,
e pra isso, carecemos de constância,
de persistência.
O fio que nos liga
urge por firmeza,
já sem esperanças
pela nossa incomunicabilidade.
Nós não conversamos,
não tocamos,
e nem ao mesmo mantemos
o contato visual
por mais de 2 segundos.
E durante esse contato,
a forma de como você me olha
é gélida, impassível.
Seu olhar é tão marcante e forte
que eu fico com receio
de conversar com você,
de tentar manter
essa nossa ligação quase inexistente.
Não tem como ser constante assim.
Eu não consigo manter as coisas assim.
Dito isso,
vou parar de persistir
e aceitar que Bóreas nos desvincule.
Se é que o nosso vínculo existiu.
— Renata Faria.
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Minha temperatura aumenta,
minha pele se aquece,
como se mil sóis
apontassem para mim.
Meu coração dispara,
como a velocidade de uma Mercedes
numa corrida de Fórmula 1,
pela fúria que me toma.
Ele se aperta,
como se alguém o esmagasse
a cada três segundos.
Minhas mãos suam,
minha cabeça gira,
como um peão rodando sem fim.
Meus olhos se enchem de lágrimas,
logo as derrubarei,
pateticamente.
— "O que é isso?" —
meu coração pergunta,
repetidas vezes,
enquanto emoções conflitantes
me arrebatam.
Minhas pernas falham,
quase caio de joelhos no chão.
Será que voei tão alto?
Deixei minhas expectativas
me levitarem tanto,
que agora perco minhas asas
para o sol,
queimando como Ícaro?
Não duvido.
Pois o que sinto
chega bem perto.
— Renata Faria.
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Durante esses meses,
eu só pude sentir
uma única emoção
relacionada ao te ver novamente...
Mas que palavra usar pra isso?
Ansiosa? Esperançosa?...
Eu diria: expectante.
Segundo o dicionário,
é quem espera em observação.
Mas pra mim,
a única pessoa que me causa esse sentimento
é você.
A minha descrição de expectante
sou eu pra você.
Te espero, te aguardo, te quero.
Mas, infelizmente,
não podemos fugir do dicionário.
E nesse caso,
expectante como "quem espera em observação"
se faz bem à sua causa.
Eu apenas posso lhe observar,
impotente, sem saber o que fazer.
Eu poderia falar com você?
Te tocar?
Eu não sei.
Então, por enquanto,
e talvez até o resto de meus dias,
vou lhe observar,
e me manter expectante,
de que um dia,
você me note.
— Renata Faria.
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Eu sempre fui uma pessoa 'matemaníaca'.
Minha matéria favorita da escola era matemática, desde bem nova.
Amava números e tudo que os regia.
Conta? É comigo mesmo!
Era até um pouco acima da média,
pois passava meu tempo livre assim.
E eu era feliz, realmente feliz...
Até você chegar.
Você me fez odiar números.
Sempre que os vejo, tenho dor de cabeça.
E pior: estou presa a eles agora!
"Por quê?"
Porque eu tenho de contar, todos os dias, todas as horas,
e todos os segundos — tudo por você.
Conto por quanto tempo nos falamos,
por quanto não nos vemos ou nos abraçamos.
Todo segundo com você é importante,
e por isso, devo contá-los.
Ah, e quando sinto saudade?
A tendência só piora.
Você conta também?
Eu realmente espero que não.
É terrível...
Peguei ódio dos números,
e não é culpa deles, é sua também!
Se fosse mais presente, não ausente,
se se preocupasse e não se afastasse,
isso não estaria acontecendo.
Eu não sofreria pelos minutos,
e até segundos.
Mas por sua causa,
agora tenho desejo de abandonar
o que eu mais amava: a matemática.
E você vai tomar atitude por isso?
Não vai.
As minhas contas são perdidas,
dia após dia,
semana após semana.
— Renata Faria.
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Um erro não justifica o outro, você dizia. Sim, não justifica. Mas e as feridas?
Elas podem infeccionar e até mesmo levar a amputações, se não forem cuidadas ou se forem cutucadas.
Claro, eu não sou hipocondríaca. Sabemos que eu não tenho medo de adoecer ou de me machucar. Mas infecções me assustam: elas proliferam e me consomem por inteira.
E amputações, então? Eu sei exatamente qual seria o alvo: Meu Coração.
Sim, em letra grande e bem ressaltado, pois um coração não é algo que se ampute.
Me causaria uma morte angustiante e sem sentido.
E “oh, por qual razão seria sem sentido?”, você pode se perguntar.
A resposta é, na verdade, muito simples: não faria diferença.
Você não me olharia, nem em meu leito de morte.
Não iriam escorrer lágrimas de seus olhos ao ver o abraço de Hades me consumir.
Não sentiria angústia, ou ao menos um aperto no peito, onde se bate seu coração gélido.
Então me diga: por que eu deveria cutucar a ferida, correr até você e implorar aos teus pés por reconciliação, ou sequer por um olhar?
Chorar de joelhos até que meus olhos fiquem inchados, e que minha patela apareça em carne viva, desnuda, como eu estou pra você…
Pra que você apenas me vire as costas e ria de como eu pareço patética agora?
Não. Você não vale esse martírio. Não mais.
— Renata Faria.
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