Ela trabalha num salão de beleza,
transformando a vida de dezenas de mulheres
com presteza.
Está antenada a cada transformação,
que não se traduz apenas
na vestimenta,
tampouco no conceito mais abrangente da aparência,
pois é a manifestação de um grito,
de um grito que vem das profundezas,
lutando para conquistar cada vez mais espaços,
por meio desta particular forma de expressão,
nada menos do que o reflexo de uma essência,
da essência maior,
lar de almas vivas,
volúveis,
eternas
e femininas.
Está esperando o quê, mulherão?
Aceite a sua condição
de liberdade
e continue
a embelezar o mundo
com a sua feminilidade.
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A escrita, o refúgio perfeito.
A maneira de repensar a realidade
sem sair dela.
A tentativa de recompor este paraíso chamado infância,
dando-lhe todos os significados
que, em minha vivência,
dei
e não pude dar.
O ponto de encontro do homem que sou,
do menino que fui
e do velho que ainda serei.
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Pai, finalmente chegou a hora de dizer
que estes versos são para você.
Em virtude de suas particularidades, certamente demorei para compreendê-lo.
Não por amá-lo menos, pois, pelo contrário,
a cada dia que passa,
esse amor só cresce.
Afinal, você é meu pai.
O homem que me gerou,
me proveu
e me ensinou.
O homem que sempre desejou o melhor para mim.
Seu difícil temperamento
tampouco foi capaz
de trazer tormento
para o amor que nos uniu:
esse amor machucado, ferido,
mas também ombro amigo,
prova contínua
de nosso amadurecimento,
proporcionando a nós dois
as maravilhas
desta profunda
e mais importante reconciliação,
que partiu diretamente do coração,
do coração do seu filho poeta.
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Eis uma família do campo,
cuja bravura
causa espanto.
Todos os dias, o marido puxa o cavalo
e quase quebra o braço.
A esposa puxa a carroça
e segue tão vitoriosa,
quanto formosa.
O marido pisa na poça suja
e se cobre de lama.
A esposa pisa onde pastam os porcos
e, ainda,
de tão limpa,
continua trabalhando,
sem sair do foco.
O marido enfrenta um gavião,
mas despedaçado
fica o machão.
A esposa enfrenta uma onça-pintada,
que tenta devorá-la,
mas é domada.
O marido é uma fortaleza
e, no lugar dos filhos, sente toda a dureza.
A esposa é outra,
mas transforma a dureza
em leveza,
a braveza
em delicadeza
e a dor
de seus filhos, de seu homem
em amor.
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Aristóteles, grosseiramente, declarou
— delirando, eu posso supor —,
que a mulher é um homem incompleto.
Frase que, apesar da frágil sustentação,
ecoou ao longo de milênios,
sendo responsável por muitos silêncios.
Está esperando o quê, mulherão?
Posso ouvir o grito de todas vocês, mulheres incríveis,
apesar de, em diversos momentos, abafados
pelas profundezas do passado,
do, por tantas vezes, conturbado
patriarcado.
Eu, por outro lado,
cheguei a defender o extremo contrário:
que a fêmea humana
é um macho aprimorado.
Mas também passei longe da verdade,
uma vez que os sexos se separam
pela identidade.
Pelo significado
do que é ser homem
e do que é ser mulher.
Sou Homem com H maiúsculo!
Você é Mulher com M maiúsculo!
M maiúsculo de Mulher, de Mulherão
e de Melhor em quase tudo!
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Criança saudável,
que nunca para quieta!
Que acerta, erra,
faz bagunça e estuda!
Dança e tagarela,
brinca, corre e pula!
Brinca de futebol,
brinca de casinha,
de boneco, de boneca,
de astronauta e até de polícia secreta!
De super-herói, de super-heroína!
De pai, mãe, pula-corda e amarelinha!
De joguinhos eletrônicos
e de falar no telefone!
São meninos desordeiros
e ligeiros,
cheios de energia!
São meninas fortes, espertas e sapecas,
invencíveis no cabo de guerra!
Para participar da brincadeira, atenção!
Só entra para a competição
aqueles que honrarem a criança em seu coração!
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Mãe, afasta essa gente de mim!
Toma deles essa arma
que, sobre minha cabeça, está apontada.
Afasta de mim essa gente
que, de valente,
não tem nada.
Que não sabe argumentar,
nem conversar,
apenas bradar com uma arma.
Dizem-se a voz do povo,
que falam por todos,
e você, cuja opinião não cai nesse engodo,
é egoísta por pensar à parte.
Mas que povo é esse, que fica à margem
de seus indivíduos,
esvaziando o coletivo
de sentido,
caindo nesta inevitável abstração?
Só quero paz nessa vida.
Poder assistir ao meu jogo tranquilo,
e parar com este caos infinito.
“Política e futebol não se discute”, eles dizem.
Eles, que provavelmente nunca tiveram sua vida prejudicada,
sua propriedade violada
numa canetada.
Eles, que parecem presumir que o mesmo ocorre no futebol,
em que seu time perde,
mas sua vida, não.
Nem sua casa, nem seus bens.
Apenas a sua satisfação,
que pode ser temporária.
Hoje seu time perde, amanhã ele ganha. Quem sabe?
Particularmente, não sei de nada.
Só que quero poder construir a minha vida até o fim
e não são vocês que vão tirar isso de mim.
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A brincadeira vai começar,
mas somente um time vai ganhar!
Façam suas apostas,
enquanto a gente joga
e puxa a corda!
É cabo de guerra:
de um lado, estão os meninos;
do outro, estão as meninas.
Divirtam-se na torcida!
Quem vai ganhar?
Força, meninos!
Força, meninas!
Vai, vai lá!
Vocês apostaram
e as meninas, fortes e guerreiras, ganharam!
Mas, calma, criançada!
A vida não acaba nessa disputa,
pois diária é a nossa luta
e, na medida em que lutamos para não sermos perdedores,
somos todos vencedores.
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Se você fosse minha,
eu a reverenciaria
todo dia.
Se você fosse minha,
eu a transformaria
em minha rainha
e seguiria sua lei,
a única
que me tornaria rei.
Nosso reinado
seria análogo
a este Jogo de Xadrez,
a este Jogo,
em que a rainha protege seu rei,
auxiliando-o nas jogadas,
em que cada etapa
corresponde à própria vida,
podendo ser resumida
em saber mexer na peça certa
e na hora certa.
Está esperando o quê, mulherão?
Será que tem espaço em seu coração?
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Por um momento, suspendo a jornada.
Aqui me sento, às margens deste curso d’água.
Paro um tempo pensando,
planejando
construir pontes resistentes
para assim poder seguir em frente
e, mais tarde, atravessar toda esta Bacia Hidrográfica,
que nem só de alegrias
é formada,
mas também de percalços,
de todos os rios da vida.
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