Júri.
Calado, coração, Já se sabe que és poeta fingidor. Mente tanto que se faz acreditar Que o amor é lei, independente do escritor! Coração vadio, fingido, Se faz de dançarino pra livrar o espírito nunca antes apreendido! Coração poeta, s/cem faces, Se pinta nas paredes, se coloca em toda parte. Coração de rio, imprevisível, Turvo e indecifrável. Confiar em ti és um ato cômico de tão trágico! Nem tu acreditas mais nas palavras citadas, Cada trecho dessa fala, cada nó dessa gravata... Tu não sabes quem és. O faz de contas não mais lhe conta suas experiências, Incompleto és o contexto que se encontras, Espelho dos beijos que tu tens na conta. Condenado és por omissão dos fatos. Denunciado pela alma, pela visão e tato. Sem direito a defesa, pois sua própria escrita confirma os relatos. -Letícia Cardoso.
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