José Victor
@menebar · desde 2021
no seio da agonia, movendo as montanhas.
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Meu bolso anda mais vazio que pessoas
Os primeiros maços de cigarro que vi na minha vida eram de Hollywood vermelho
Se não há espaço para mim, no meu corpo sobra para tatuagens
hoje eu vi um tatu
apesar do vício não foi para rimar
matemática de vícios de Z á A
quase matei uma mulher no parto
a única coisa que meu nariz aceita é rapé
o cigarro é uma invenção dos índios da América do Sul
Está tocando "ela ela" do Caetano
VOCÊ AINDA FUMA E É TÃO JOVEM, TÃO BONITA.
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Fonética
Fome
Fóruns
Fortuna e falta
Família
Coleta de lixo
COLETIVO
Opa, bão?
O rosto da russa fica preso na minha cabeça como raiz na terra
Tem, feijão?
Pois bem, aquele garoto não
gostei do dia que ele tacou fogo naquele maldito livro de história
Aprendia mais num prato de merenda que na fala da maldita professora
Sem fluência fraca, ele futuro
Lia pouco
O pai um dia saiu numa maca e nunca mais voltou
A mãe também não teve contato ao maldito livro de história
Nem aos outros tantos
Mesmo sabendo das esquinas, era muito pouco
A mãe, mais uma paz decapitada
Maldita história
Por amor, 100 reais a hora
Ela chegava e vomitava
Ele chorava na escola
ao menos, agora comia
Festival de agonia
Teu único amigo morre
Maldita história
Pede para a mãe uma guitarra
Posso ver um novo B.B king
Ele não aguentava mais ver o entra e sai de homens bêbados
Tudo bem mãe?
Comprei tua guitarra
Anos depois, perde-se numa sacola
Maldita história
Deixou de ser os dois após um estrupo
Tinha gravado uma demo
Mas agora, já era
Era o demônio
Seringas, brigas e bingas
Desconta sua raiva na bunda das ninfas
Lindas músicas de desgraça
Hoje faz 10 anos que ele morreu engasgado
Maldita história
Criei essa história em cuspe para tirar a russa da cabeça
Maldita Russa.
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Al Capone era bom marido
A solidão é popular
Populistas querem me executar
Exponho mais que faço arte
Reserve um lugar para as cobaias
Recrio as cartas persas
Reviro as tumbas e escrevo restos
Na calma da pressa
Na percepção de presa
Fugitivo
Cedado por um cego
De olho nas movimentações
Na dança das montanhas
Seguem pregados numa nota
rasguei
Sensível ao ego de que sou pertencente
Perto daquele espaço longe
Trupico nos passos
Jogo o troféu no lixo
Passo dispercebido
Dentro do disperdicio da casa
Observo um falso poeta, rio e elogio
Sem relógio, com educação
O agro me deixa agressivo
Me gozo numa experimentação
Do ogro ao príncipe
Não há graça se não há mudança
O outro eu
A mesma coisa
Noutro tema
O homem morto a tiros não comove mais
No mar terrível
Mergulhados
O terço nunca valeu de nada
A violência da miséria não choca
Criar o absurdo do absurdo para atingir
Abismo
Quem dera esses abutres entendessem a filosofia de Jesus
O louco não se acostuma.
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Não vendemos pássaros
As rãs elásticas
Saltimbancos
Assalte bancos e façam uma boa distribuição
Desfila com a sua camisa mais brega
Enquanto lê em voz alta nalgum lugar público
Algum trecho provocativo
Simplesmente cuspa
Deixe a palavra escorregar
Faça xixi na porta de uma igreja
Se houver reclamações
Sorria
Torço para que não te agridam
Depois coma algo agridoce
Entregue uma mensagem de amor para uma pessoa desconhecida que tenha feito teus olhos brilharem.
- Zé Menebar
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