Crepúsculo dos Versos: O Último Ato do Poeta (História Parte 2)
Tudo era silêncio, mas não o tipo de silêncio que acalma. Era um silêncio pesado, opressor, que ecoava em meu peito como um grito sem som. O vento, que tantas vezes trouxera inspiração, agora soprava sem astúcia, apenas para lembrar-me de que o vazio reinava. Nem mesmo a chuva veio para limpar a poeira acumulada em minha alma; ela ficou suspensa, como uma promessa nunca cumprida. No entanto, mesmo ali, no limite entre o fim e o esquecimento, algo dentro de mim persistia: um sopro, um resquício de vontade, uma centelha que não se deixava extinguir. Era quase imperceptível, mas estava lá, uma teimosia que me fazia clamar, ainda que sem voz, por um último devaneio. E foi nesse momento que percebi: talvez o último ato de um poeta não seja o silêncio, mas a aceitação do vazio como parte do ciclo. Pois, mesmo quando tudo parece perdido, há um espaço, por menor que seja, para algo novo nascer. Talvez o adeus em versos não seja realmente um fim, mas um prelúdio para um início que eu ainda não consigo enxergar. Fechei os olhos e, por um instante, deixei que o vazio me envolvesse. Quem sabe, no silêncio que me restava, eu encontrasse o eco de um novo começo.
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