Crepúsculo dos versos: O Último Ato do Poeta (História Parte 1)
Havia um vazio que não era apenas a ausência de palavras, mas de significado. Era como se tudo ao meu redor tivesse sido drenado de vida, deixando-me sozinho em um deserto de emoções. Não havia sol para aquecer a pele, nem estrelas para guiar o caminho. O crepúsculo havia chegado, mas, em vez de trazer a promessa de uma noite calma, trouxe consigo um peso insuportável. A musa, minha fiel companheira, tinha fugido, deixando-me sem rumo, sem inspiração. Tentei encontrar suas pegadas nas areias da memória, mas tudo o que restava eram ecos de versos incompletos, fragmentos de uma melodia que agora me parecia distante. O desalento tomou conta de mim, num estado entre o entorpecimento e a inquietação. O que fazer quando não há motivo para sorrir, mas também nenhum para chorar? Quando a alma está presa em um oceano de ausência, seria insensatez lançar-se à deriva? Peguei a caneta mais pela força do hábito do que por vontade. As palavras, outrora tão fluidas, pareciam presas em algum lugar distante, e cada tentativa de alcançá-las era como esticar a mão para agarrar o vento. Este seria meu último poema, uma despedida em versos, o último ato de um poeta que caminhara por muito tempo sem encontrar destino. Naquele momento, lembrei-me de como todo início é, muitas vezes, um clichê. Mas não havia clichês para aquele fim. O sol, antes símbolo de esperança, ocultara-se sem promessa de retorno. O entardecer chegou desprovido de calor, e a noite fez-se gélida, sufocante. Nem mesmo a lua tinha o brilho que costumava confortar; ela parecia uma sombra de si mesma, vazia e distante. As estrelas, minhas confidentes em noites de dúvida, haviam se afogado na bruma sutil, desaparecendo sem aviso.
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