Crepúsculo dos Versos: O Último Ato do Poeta
Quando a musa foge e o coração desfalece, como prosseguir com versos, quando tudo é desalento? Sem motivos para alegrar, sem razões para entristecer. Num oceano de ausência, você ousaria navegar? Este é meu último poema: um adeus em versos de um poeta andarilho, em tom impreciso. Pois todo início, muitas vezes, é um clichê; mas hoje o sol se ocultou e sua chama não aqueceu a fé. O entardecer chegou, desprovido de calor. A noite se fez gélida, e a lua perdeu o esplendor. As estrelas se afogaram na bruma sutil, e o vento pesado não trouxe nenhuma astúcia. A chuva não veio; o vazio se instalou: um deserto em meu peito, um eco sem fervor. Todavia, no silêncio, ainda busco um sopro, e persisto em clamar por um fugaz devaneio.
Comentários · 0
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.