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Violetas escritas

@lizzy_ask · desde 2020

Viver sem poesia, não é viver ♡

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Andarilho

Sentada na beira da calçada Meus olhos encaravam a rua vazia O silêncio da madrugada Trazia uma sensação quase sombria Uma figura apareceu na esquina Não pude deixar de notar Suas costas carregavam uma mochila E seus passos difíceis de acompanhar Quanto mais ele chegava perto Mais curiosa minha mente ficava Como alguém tinha um futuro tão incerto Que no escuro sempre vagava? Julguei aquele andarilho Mas ele cada vez mais perto chegava Quanto mais eu via seu rosto Mais eu me lembrava Eu era como aquele andarilho Quantas vezes vaguei pela estrada? Quantas vezes me perdi Procurando o caminho de casa? Quando ele passou por mim sorriu Eu nunca mais veria aquele andarilho Ele apagou seu cigarro E quando vi já havia sumido Demorei para entrar entrar em casa Olhando a direção que ele tinha partido Lembrando o dia que eu já fui Exatamente.como aquele andarilho - A madrugada sempre traz o que estava esquecido

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Infância

Existiu um momento Onde o céu era mais vibrante Onde a água era mais azul E os olhos brilhavam por um instante Existiu um momento? Onde nada era uma corrida Que para ganhar Deveria jogar fora a sua vida Quando no espelho você sorria E um machucado não era o bastante Para destruir todo o seu dia Existiu um momento Onde a dor não existia Onde o significado de tudo Nem importava tanto quanto parecia Existiu um momento Onde fomos crianças E sem perceber Demos adeus a nossa infância Não foi um dia especial Que você sempre lembre Mas em uma quarta feira qualquer Você cresceu quase de repente Era uma tarde chuvosa E você não sorriu no espelho Apenas encarou o reflexo E já não era mais o mesmo Tomou um café e saiu pelo portão Sem olhar mais como as nuvens Formavam formatos de algodão E você dizia querer crescer Para saber como os adultos vivem Mas se tivesse prestado atenção nos olhos deles Nunca teria visto algo tão triste - Tem como voltar para algo que já não existe?

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Puerpério

E de repente Ela nasceu Ela que passou 9 meses na minha barriga Agora aqui fora respira E de repente Me sinto tão vazia Porque o coração que antes dentro de mim batia Agora aqui fora tem vida E todos querem a conhecer A pegar e a ter E dentro de mim Sinto como se fosse enlouquecer Porque o amor que sinto por ela é tanto Que meu coração chega a doer E quando pegam ela do meu colo Sinto vontade de desaparecer É tanta gente e me sinto vazia Porque é só ela que me dá a vida - Será que vou me acostumar um dia?

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Não volto

Meus olhos pararam no horizonte Eu tinha tanto a dizer Mas meu desabafo Só você poderia ver Como um filme Onde as lembranças Sempre aparecem em preto e branco Lembrar de você Dói como segurar um choro Você sempre me ouviu E quando mais tenho a dizer Há muito tempo voce partiu Eu tinha tanto a dizer Tanto, mas você não está aqui A única pessoa Que sabia como me fazer não desistir Eu tinha muito para dizer E não sabia que seria assim Que não dizer Traria o meu fim - Eu morri muitas vezes, mas acho que algumas são para sempre

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Sem título

De novo escrevo Já são tantas cartas Que faltam destinatários Afinal quem leria Meus sentimentos bagunçados? Existiu um momento Em que o sorriso era mais fácil O choro quando vinha Ia embora quase rápido Hoje eu carrego o peso Do mundo inteiro Mas eu apenas sorrio Pela minha filha aqui dentro Logo ela vai nascer E ser forte é o que eu preciso Se eu proteger ela Sei que vai ficar tudo bem comigo - Ela vale mais do que tudo que já tenha tido

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Madrugada

Não tem o que fazer É o que eu sempre ouço Alguém dizer Quando digo que eu queria Que tudo fosse diferente Apenas me dizem Que a vida é assim sempre Então eu engulo o choro E tento continuar Mas por que no fundo A dor volta a me assombrar? Eu treino o melhor sorriso Que eu posso dar Mas ainda penso em como Esconder a lágrima que rolar - Não tem o que fazer, eles dizem, e no fim começo a acreditar

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Amar

Minha Maria Elisa Um dia espero que leia esse poema E em cada palavra Eu espero que você entenda No primeiro mês Eu ouvi seu coração Pela primeira vez No segundo já te tinha Fechava meus olhos E ali eu te via No terceiro mês Ali você estava na tela E eu só pensava Eu já amo tanto ela Você coloriu meus poemas sem tinta Deu sentido a cada pintura linda Hoje eu te espero aqui fora E cada dia só penso Mal espero para essa hora Já sonho com você desde muito tempo Minha Maria Elisa Eu sei que já te conheço - Daqui um mês você vai estar comigo, mas já faz tempo que eu te sinto 🩷

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Reencontro

Dizem que se um poeta para de escrever As palavras não somem dele E eu me arrisco a dizer Que elas acabam transbordando nele Um dia eu parei de escrever Mas percebi que nada fazia sentido Fui transbordando por dentro Como se nunca tivesse escrito As lágrimas de um poeta Não são como das outras Caem palavras dos seus olhos Até que não sobre outra escolha É quando ele escreve E tudo sai como uma bagunça Mas se você ler direito Tem sempre algo que não muda - Já fazem anos poesia, e hoje eu transbordei como nunca

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Infância

Velha infância

Eu tive a infância Mais feliz que alguém poderia ter Eu lembro dela Como uma leve brisa de chuva Eu fui feliz Mais do que poderia contar E nem se quisesse Eu poderia dela escapar Eu fui feliz E ainda me lembro das risadas De como no fim da tarde Entrávamos sujos para dentro de casa Eu sei que fui feliz Ainda lembro Da voz dela Dizendo meu nome Do seu rosto no portão Me dizendo para entrar em casa Ah vó... Se naquele dia eu soubesse Que minha casa era você... Então teria te abraçado E não dito que queria crescer Por onde anda você? Violetas escritas

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Amizade

Sobre o tempo

Eu me lembro das risadas Das noites que passamos acordadas Me lembro do sentimento De não estar sozinha Porque eu tinha você E era só o que importava Esse mês me casarei Mas sinto que uma parte ainda falta Porque você estaria lá E eu não teria medo de nada Há tanto silêncio entre a gente Que me sinto perdida Porque uma parte sempre falta A minha única e melhor amiga - o tempo é cruel e ele nunca mais volta, devia ter percebido isso antes, mas ele não se importa Violetas escritas

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