Sentada na beira da calçada
Meus olhos encaravam a rua vazia
O silêncio da madrugada
Trazia uma sensação quase sombria
Uma figura apareceu na esquina
Não pude deixar de notar
Suas costas carregavam uma mochila
E seus passos difíceis de acompanhar
Quanto mais ele chegava perto
Mais curiosa minha mente ficava
Como alguém tinha um futuro tão incerto
Que no escuro sempre vagava?
Julguei aquele andarilho
Mas ele cada vez mais perto chegava
Quanto mais eu via seu rosto
Mais eu me lembrava
Eu era como aquele andarilho
Quantas vezes vaguei pela estrada?
Quantas vezes me perdi
Procurando o caminho de casa?
Quando ele passou por mim sorriu
Eu nunca mais veria aquele andarilho
Ele apagou seu cigarro
E quando vi já havia sumido
Demorei para entrar entrar em casa
Olhando a direção que ele tinha partido
Lembrando o dia que eu já fui
Exatamente.como aquele andarilho
- A madrugada sempre traz o que estava esquecido
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Existiu um momento
Onde o céu era mais vibrante
Onde a água era mais azul
E os olhos brilhavam por um instante
Existiu um momento?
Onde nada era uma corrida
Que para ganhar
Deveria jogar fora a sua vida
Quando no espelho você sorria
E um machucado não era o bastante
Para destruir todo o seu dia
Existiu um momento
Onde a dor não existia
Onde o significado de tudo
Nem importava tanto quanto parecia
Existiu um momento
Onde fomos crianças
E sem perceber
Demos adeus a nossa infância
Não foi um dia especial
Que você sempre lembre
Mas em uma quarta feira qualquer
Você cresceu quase de repente
Era uma tarde chuvosa
E você não sorriu no espelho
Apenas encarou o reflexo
E já não era mais o mesmo
Tomou um café e saiu pelo portão
Sem olhar mais como as nuvens
Formavam formatos de algodão
E você dizia querer crescer
Para saber como os adultos vivem
Mas se tivesse prestado atenção nos olhos deles
Nunca teria visto algo tão triste
- Tem como voltar para algo que já não existe?
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E de repente
Ela nasceu
Ela que passou 9 meses na minha barriga
Agora aqui fora respira
E de repente
Me sinto tão vazia
Porque o coração que antes dentro de mim batia
Agora aqui fora tem vida
E todos querem a conhecer
A pegar e a ter
E dentro de mim
Sinto como se fosse enlouquecer
Porque o amor que sinto por ela é tanto
Que meu coração chega a doer
E quando pegam ela do meu colo
Sinto vontade de desaparecer
É tanta gente e me sinto vazia
Porque é só ela que me dá a vida
- Será que vou me acostumar um dia?
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Meus olhos pararam no horizonte
Eu tinha tanto a dizer
Mas meu desabafo
Só você poderia ver
Como um filme
Onde as lembranças
Sempre aparecem em preto e branco
Lembrar de você
Dói como segurar um choro
Você sempre me ouviu
E quando mais tenho a dizer
Há muito tempo voce partiu
Eu tinha tanto a dizer
Tanto, mas você não está aqui
A única pessoa
Que sabia como me fazer não desistir
Eu tinha muito para dizer
E não sabia que seria assim
Que não dizer
Traria o meu fim
- Eu morri muitas vezes, mas acho que algumas são para sempre
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De novo escrevo
Já são tantas cartas
Que faltam destinatários
Afinal quem leria
Meus sentimentos bagunçados?
Existiu um momento
Em que o sorriso era mais fácil
O choro quando vinha
Ia embora quase rápido
Hoje eu carrego o peso
Do mundo inteiro
Mas eu apenas sorrio
Pela minha filha aqui dentro
Logo ela vai nascer
E ser forte é o que eu preciso
Se eu proteger ela
Sei que vai ficar tudo bem comigo
- Ela vale mais do que tudo que já tenha tido
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Não tem o que fazer
É o que eu sempre ouço
Alguém dizer
Quando digo que eu queria
Que tudo fosse diferente
Apenas me dizem
Que a vida é assim sempre
Então eu engulo o choro
E tento continuar
Mas por que no fundo
A dor volta a me assombrar?
Eu treino o melhor sorriso
Que eu posso dar
Mas ainda penso em como
Esconder a lágrima que rolar
- Não tem o que fazer, eles dizem, e no fim começo a acreditar
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Minha Maria Elisa
Um dia espero que leia esse poema
E em cada palavra
Eu espero que você entenda
No primeiro mês
Eu ouvi seu coração
Pela primeira vez
No segundo já te tinha
Fechava meus olhos
E ali eu te via
No terceiro mês
Ali você estava na tela
E eu só pensava
Eu já amo tanto ela
Você coloriu meus poemas sem tinta
Deu sentido a cada pintura linda
Hoje eu te espero aqui fora
E cada dia só penso
Mal espero para essa hora
Já sonho com você desde muito tempo
Minha Maria Elisa
Eu sei que já te conheço
- Daqui um mês você vai estar comigo, mas já faz tempo que eu te sinto 🩷
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Dizem que se um poeta para de escrever
As palavras não somem dele
E eu me arrisco a dizer
Que elas acabam transbordando nele
Um dia eu parei de escrever
Mas percebi que nada fazia sentido
Fui transbordando por dentro
Como se nunca tivesse escrito
As lágrimas de um poeta
Não são como das outras
Caem palavras dos seus olhos
Até que não sobre outra escolha
É quando ele escreve
E tudo sai como uma bagunça
Mas se você ler direito
Tem sempre algo que não muda
- Já fazem anos poesia, e hoje eu transbordei como nunca
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Eu tive a infância
Mais feliz que alguém poderia ter
Eu lembro dela
Como uma leve brisa de chuva
Eu fui feliz
Mais do que poderia contar
E nem se quisesse
Eu poderia dela escapar
Eu fui feliz
E ainda me lembro das risadas
De como no fim da tarde
Entrávamos sujos para dentro de casa
Eu sei que fui feliz
Ainda lembro
Da voz dela
Dizendo meu nome
Do seu rosto no portão
Me dizendo para entrar em casa
Ah vó...
Se naquele dia eu soubesse
Que minha casa era você...
Então teria te abraçado
E não dito que queria crescer
Por onde anda você?
Violetas escritas
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Eu me lembro das risadas
Das noites que passamos acordadas
Me lembro do sentimento
De não estar sozinha
Porque eu tinha você
E era só o que importava
Esse mês me casarei
Mas sinto que uma parte ainda falta
Porque você estaria lá
E eu não teria medo de nada
Há tanto silêncio entre a gente
Que me sinto perdida
Porque uma parte sempre falta
A minha única e melhor amiga
- o tempo é cruel e ele nunca mais volta, devia ter percebido isso antes, mas ele não se importa
Violetas escritas
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