Último Ato II
Vamos construir uma história com final feliz, uma última lembrança primaveril, adocicada como só nós sabíamos, debaixo das ameixeiras em flor. Antes que tudo voe com o vento empoeirado, cinzento; antes que as ondas apaguem nossa velha história que outrora fez-se fresca como o orvalho das cinco horas. Só então, deixe-me. Apague o que desejar. Despreze aquilo que foi o mais bonito de todos os amores, prazeres intensos. Mas confesso sem timidez, que jamais deixarei que se perca a nossa nostálgica intensidade, pois meu coração é quente o suficiente para não deixar que a beleza que está em amar desfaleça. O nosso sentir, agora só meu, guardarei juntamente à vívida lembrança de teus lábios quentes, emaranhados aos meus numa dança lenta mas furiosa, bastante conhecida por nossas fibras, nossos ossos,nossas almas. E com o tempo tu perdestes o gingado, já não lembravas nossa conexão, como se a vitrola estivesse quebrada, o disco arranhado, nos afastamos lentamente da pista de dança...sem perceber, estava solitária em meio ao salão, não havia orchestra ou iluminação, apenas eu, amando sozinha. LinSan-2021/10/18
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