POEMA 138
Olho para nós e ainda vejo a beleza do que poderíamos ter sido, um amor que nasceu tão bonito, mas se perdeu antes de ter sido vivido. Você era a razão, eu, o coração. Você media os passos, eu me entregava à emoção. Você precisava de certezas, eu só queria sentir. Você pensava no caminho, eu só queria seguir. Éramos, talvez, o desenho perfeito, duas metades de uma mesma intenção. Você, a estrutura que sustentava o mundo; eu, o sentimento que dava vida à construção. Mas o amor, meu bem, não vive de teoria, nem sobrevive apenas de intenção. Porque até o encontro mais bonito pode se perder na ausência de conexão. Nossas linhas se cruzaram, mas não souberam se entrelaçar. Tínhamos tanto para ser, mas não aprendemos a ficar. E dói… Ah, como dói reconhecer que, mesmo querendo tanto, não conseguimos acontecer. Você tinha a sua maneira de amar, eu tinha o meu jeito de sentir. E, enquanto eu tentava nos salvar, talvez você só quisesse não se ferir. Faltou compasso nos nossos passos, faltou abrigo na nossa imensidão. Eu transbordava tentando alcançar você, enquanto você procurava explicação. E o que era para ser equilíbrio se tornou distância e solidão. Você tentando entender o amor com a mente, eu tentando mantê-lo vivo com o coração.
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