Acordo de um sonho terrível,
Mais fácil chamar de pesadelo.
Pronto pra uma vida sofrível
Buscando aquietar o desejo.
Admirando os quéns, os serás e os serãos
Que não chegam a me admirar,
Numa noite chuvosa e fria
Procuro o alívio num piano bar.
Eu farei o que você quiser
Desde que o faça também,
Não revelo teu segredo de mulher
Mas o recebo muito aquém.
Observo sua paisagem natural
Tão certa de não possuir defeitos,
Quando a dona desse corpo sensual
Vai me contar outros segredos?
Mas acabo escrevendo
Sozinho num podre abrigo
Versos pra ti que formam outro
Poema de amor inconclusivo.
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Me chamaram de louco
Só por ser diferente
Só por ser eu
Me deram choques
Mas não os de realidade
Os de tratamento
Para os loucos dessa cidade
Quem me esqueceu aqui sentiu o gosto do mel
Pouco entendeu o que eu senti
Já que eu senti o gosto do fel.
Os loucos que correm do hospício sou eu
Em tantas formas e jeitos de ser
Não entendem o trauma de quem sofreu.
Não dão o poder de escolher.
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Minhas noites são solitárias
Converso com minha sombra
sobre as novidades da vida
Ou sobre a falta delas...
Perdoarei-me em meio a essa confusão?
Eu que nem sei o que perdoar
Ouvindo baladas românticas
Me imagino deitado em seu ombro.
Se a vida é correr atrás do que te faz bem
Eu compreendi o motivo de sempre te procurar
É coisa simples o que sinto ao seu lado
Mas que nem eu sei explicar.
Passo meus dias escrevendo poemas de amor
Que você sequer verá quando a luz surgir
Ouvi dizer que você foge de mim
Seria eu o problema sem solução?
Já não sei dizer...
Meus poemas sem ritmo ditam meus sentimentos
Afloram minhas confusas emoções
Em meio a declarações não planejadas
Numa carta, aquela carta...
Eu demonstro o quanto eu te quero pra mim
Mas eu permaneço invisível, um homem invisível
Obscurecido pelas nuvens de uma manhã cinza.
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Todos os dias ela acorda
Sem querer sair da cama
Todos os dias ela levanta
Se arrumando como dama.
Todos os dias eu acordo
E o mundo não despertou
Penso no dia desejado
Acordando ao lado do amor.
O som da música ecoa em meus ouvidos
E eu desejo um dia te dedicar esses versos
Ainda que sejam confusos, esses desejos
Refletem o que existe no fundo do coração.
O Sol bateu em minha janela ao cair da tarde
E eu lembro das horas que passamos juntos
Foram tão boas mas foram tão poucas
Que todos os dias eu anseio mais.
Todos os dias eu acordo com bobas canções
Que me iludem antes mesmo de você falar
A água do rio corre desde a minha casa
E me leva até você.
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Você chegou de repente
E agora não quero que vá embora
Dama da noite, rainha de meu flerte
Deixe que eu me entregue agora.
Eu não preciso ir longe pra te ver
E isso aquece meu gélido coração
Na mais clara poesia, ser ou não ser?
Fui atingido pelas flechas da paixão.
E eu sei que tudo não sairá da cabeça
É como acordar de um sonho
Ainda que eu mesmo pereça
Não ficarei assim tristonho.
Se minha pequena atitude um dia te fez ficar
Eu transformo em grandes os pequenos atos
Os dias sem você me fazem aluar
"Ela nem sabe como fica linda usando saltos"
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Lembro de você toda de branco
Linda no dia da comunhão
Maria, meu bem...
Não sabes da minha paixão?
Eu rogo aos Santos Anjos
Dos quais provém seu lindo nome
Será você um ser angelical?
Vinda da sétima morada celeste?
Pouco me importa que estejas longe
Continuarei te amando ao eterno
Dos terços que rezamos juntos
Sempre me recordarei.
Mas Maria, serei eu o teu romântico trovador?
Poeta que te escreve versos por escrever?
Não é inútil se por ti sinto tanto amor
Mesmo anos antes de te conhecer.
Ainda que eu passe tanto tempo
Sem contigo conversar
Ainda me amarias, Maria
Se eu fosse te visitar?
Eu te venero, Maria
Não precisa ter medo da vida
Eu te ajudarei como guia
Pois você é minha grande amiga.
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Se minha presença, iludida com teus olhos
não fosse o suficiente pra comprovar
que sua beleza me faz lutar
Contra a vontade de te ver.
Meus versos, ressaltando sua sensualidade
Não ignoram sua belíssima vaidade
Que me deixam te descrever.
Eu, mero poeta metropolitano
Vejo sua beleza negra
Ao longe, bem longe, no campo.
Mas eu, que te amo ao infinito
Também me vejo no retinto
Par de olhos a me envolver.
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Aquela moça, minha inspiração, meu amor.
O ato da potência de meus versos pontuais
Amei-a até o amanhecer e nunca mais a vi
Quem será essa moça que não sai dos meus sonhos?
Essa musa, que já foi várias,
Outrora me inspirou a lhe descrever
Tento a enxergar de todos os jeitos
E procuro descobrir se ela é prosa ou poesia.
Tenho somente duas mãos para a amar
As mesmas que podem rasurar suas curvas
As mesmas que podem descrever a perfeição
As mesmas que nada podem fazer.
O amanhã é muito incerto
E não sei se poderei encontrá-la novamente
Será esse o poema correto
Para descrever o retorno do amante inconsequente?
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Um dia desses eu me encontro novamente.
Nadando numa praia ou numa cachoeira
Me deixando levar pela corrente.
Um dia desses tornarei a voltar pra casa
E terminar a destruição da guerra
Que comecei após o conflito com os outros.
Num futuro imaginário, meus filhos verão meus versos
Traduzindo a má caligrafia como hieróglifos
Após a areia tomar conta de minha casa.
Vida que passa diante de meus olhos.
Sonhando a cada dia com aquela mulher
Corpo delgado que desejo ao passar dos dias.
E num dia desses, serei vencedor finalmente.
Angariando o doce gosto da vitória
Com o troféu de governador de mim.
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Decidi numa madrugada quente
produzir um curta sobre mim.
Como cavaleiro tão valente,
que em verdade não é assim.
Sem dinheiro e sem poema
partiu o escritor desenganado.
Com pouca saúde e um edema
Não esteve deslumbrado.
Foi [fui?] a muitos lugares
cachoeira, montanha e onda.
acenei gestos pra milhares.
Serei templário de cruzada nova
cavalgando pelas santas terras.
Minha fé então se renova
numa romaria em duas pernas.
Tornei-me grande personagem
de uma história pouco famosa.
Transformei em curta-folhagem
esse meu resto de pouca prosa.
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